Lula retorna a Brasília sob pressão do tarifaço e impasse no Congresso
Após viagem à Europa, Lula volta ao Brasil com lista de pendências para resolver

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Brasília, na madrugada desta quinta-feira (18/6), pressionado por pendências relacionadas aos palanques eleitorais, projetos prioritários travados no Congresso Nacional e sob a sombra das tarifas sugeridas pelo governo dos Estados Unidos.
O petista passou os últimos três dias em agenda na Europa, na cúpula de líderes do G7. Durante a viagem, ele trocou cumprimentos com o presidente dos EUA, Donald Trump, mas disse não ter discutido a ameaça de novas sobretaxas em avaliação pela Casa Branca.
Nessa quarta, o republicano voltou a fazer declarações polêmicas sobre o Brasil. Ele disse que o país está se tornando “um pouco duro e perigoso politicamente”. Além disso, o presidente norte-americano fez confusão ao comentar o julgamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Na terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo, por unanimidade, por coação no curso do processo, após atuação para interferir no julgamento em que o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
“Escutei que eles prenderam alguém que está concorrendo para cargo público. Eles prenderam o Bolsonaro Jr., que estava indo bem nas pesquisas”, disse, confundido Eduardo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto.
As manifestações polêmicas de Trump ocorrem no momento em que os países negociam uma solução para tarifas que podem ser impostas a importações brasileiras.
O governo norte-americano tem menos de um mês para decidir se aceita ou não a sugestão de impor sanções econômicas ao Brasil com base em investigações do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que visa práticas de comércio consideradas desleais. Se confirmadas, as tarifas podem chegar a 37,5%.
O governo brasileiro considera mais difícil reverter a tarifa de 12,5%, recomendada sob a justificativa de que o Brasil não impede a entrada de mercadorias produzidas a partir de trabalho forçado. Nesse caso, outros 59 países também são alvo da apuração.



