
Antes que o mundo aprendesse a dizer o próprio nome,
houve mãos que o sustentaram no silêncio.
Antes que a história erguesse seus monumentos,
houve mulheres que, invisíveis, edificaram o tempo.
Ser mãe é mais que gerar
é fundar caminhos onde nada havia,
é semear sentido no chão árido das incertezas,
é ensinar ao futuro a delicada ciência de existir.
Em cada gesto materno repousa uma arquitetura invisível:
-a do cuidado que não se exibe,
-a da força que não se impõe,
-a do amor que, sem alarde, sustenta o mundo.
Mães são raízes – profundas, persistentes –
que não se deixam arrancar pelos ventos da adversidade.
São rios que, mesmo quando feridos, continuam a correr,
levando vida onde antes só havia ausência.
Mas é preciso dizer, com a clareza dos tempos presentes:
não há grandeza possível onde a violência se instala.
Não há futuro digno onde a mulher é diminuída.
Não há justiça onde o respeito não floresce.
Celebrar as mães é também um chamado
um compromisso coletivo e inadiável:
romper os ciclos de dor que insistem em atravessar gerações,
erguer, no lugar do medo, a cultura da paz.
Que nenhuma mulher seja silenciada,
que nenhuma mãe seja reduzida à resistência solitária,
que o lar – esse primeiro território da humanidade –
seja espaço de dignidade, nunca de opressão.
A igualdade não é concessão:
é fundamento.
É princípio que sustenta o equilíbrio do mundo
e condição para que a vida floresça em plenitude.
Porque onde há respeito, há futuro.
Onde há equidade, há justiça.
E onde uma mulher é reconhecida em sua inteireza,
a humanidade se reconcilia consigo mesma.
Neste Dia das Mães,
não celebramos apenas o afeto
celebramos a força que move a história,
a coragem que sustenta o cotidiano,
a esperança que insiste, mesmo quando tudo parece ruir.
Celebramos vocês, mães
origem e permanência,
abrigo e impulso,
presença que transforma o tempo em possibilidade.
Que o mundo, à altura de sua grandeza,
aprenda, enfim, a retribuir com respeito, igualdade e paz
tudo aquilo que, em silêncio, vocês sempre nos deram.
Feliz Dia das Mães
- Desembargador Jayme Ferreira / Presidente do Tribunal de Justiça do Amapá



