
O governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão bem-sucedida da retirada de 13,5 quilogramas de urânio enriquecido do território venezuelano. O material estava armazenado desde 1991 no reator de pesquisa RV-1, fruto de um projeto conjunto entre os dois países.
A operação, realizada em menos de seis semanas após a visita inicial ao local, contou com a participação de autoridades da Venezuela, especialistas do Reino Unido e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por regular o uso da energia nuclear no mundo
Como foi feita a operação de remoção do material radioativo
A missão foi dividida em três fases distintas, cada uma com exigências técnicas rigorosas para garantir a segurança durante todo o trajeto:
- Embalagem: especialistas acondicionaram o urânio em um contêiner apropriado para transporte de combustível nuclear, seguindo protocolos internacionais de segurança;
- Transporte terrestre: o material percorreu 160km em escolta até um porto venezuelano;
- Transporte marítimo: já no porto, o urânio foi embarcado em um navio operado por uma empresa britânica especializada, que o transportou até o território norte-americano.
O material chegou aos Estados Unidos no início de maio de 2026, encerrando décadas de preocupação com a presença desse estoque em solo venezuelano.
Por que o urânio era considerado um risco?
O reator RV-1 apoiou pesquisas em física e energia nuclear por décadas. Quando as atividades foram encerradas, em 1991, o combustível restante passou a ser classificado como material excedente — e problemático.
Isso porque o urânio estava enriquecido acima do limite de 20%, considerado o teto máximo permitido pela AIEA para fins pacíficos.
Qualquer enriquecimento acima dessa faixa é visto como uma violação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), acordo assinado em 1968 e que hoje conta com 191 países signatários, incluindo o Brasil.
Estados Unidos celebram resultado e destacam agilidade da missão
O Departamento de Energia dos EUA, por meio de sua divisão de segurança nuclear (DOE/NNSA), classificou a ação como uma vitória para os dois países e para a comunidade internacional.
Brandon Williams, administrador da NNSA, destacou o significado político da operação: “A retirada segura de todo o urânio enriquecido da Venezuela envia mais um sinal ao mundo de uma Venezuela restaurada e renovada”, afirmou.



