Política Nacional

Congresso deve derrubar veto à Dosimetria e impor nova derrota a Lula

Após rejeição de Messias ao STF pelo Senado, governo não deve conseguir manter ato do presidente contra redução de penas por atos golpistas

O Congresso Nacional deve derrubar nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei da Dosimetria, que reduzia as penas dos condenados pela trama golpista após o resultado das eleições de 2022.

O resultado deve implicar uma segunda derrota para o governo em menos de 24 horas, após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quarta-feira (29).

A sessão conjunta com deputados e senadores está marcada para as 10h.

A proposta de dosimetria das penas passou totalmente pelo Congresso em dezembro de 2024, com ampla margem: foram 53 votos favoráveis no Senado, após aval da Câmara.

O texto surgiu como uma alternativa à anistia ampla defendida pela oposição, ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 24 anos de prisão. Em vez de perdão total, a proposta previa ajustes na individualização das penas, com possibilidade de redução para condenados, dessa vez com apoio do Centrão.

Em janeiro de 2025, Lula vetou integralmente o texto.

Sessão do Congresso

  • Congresso deve derrubar o veto de Luiz Inácio Lula da Silva à Lei da Dosimetria, o que pode impor a 2ª derrota ao governo em menos de 24 horas.
  • A proposta, aprovada com 53 votos no Senado, surgiu como alternativa à anistia defendida por aliados de Jair Bolsonaro.
  • O texto muda a regra para a aplicação de penas dos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
  • Pelo projeto, as penas dos dois crimes não poderiam ser somadas, com isso, teria uma redução no tempo de penas dos condenados pelo 8 de janeiro.
  • Lula vetou o texto em janeiro.

Acordo

A oposição discute fatiar o veto para evitar efeitos colaterais sobre o pacote “antifacção”, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP).

A avaliação é que, se o veto for derrubado integralmente, regras mais brandas de cumprimento de pena, previstas em um trecho do projeto, podem entrar em conflito com dispositivos mais recentes que endurecem a progressão de regime para crimes graves, aprovados na Lei Antifacção.

A estratégia, portanto, é separar os trechos: derrubar apenas a parte ligada à dosimetria – sobretudo nos casos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023 – e preservar o veto aos pontos que mudam as regras sobre cumprimento de penas.

No entanto, a ideia enfrenta resistência do governo. Integrantes da base de apoio a Lula argumentam que o veto foi apresentado de forma integral e, por isso, não poderia ser desmembrado durante a apreciação na sessão conjunta. A análise é de que permitir o fatiamento abriria precedente regimental e político indesejado, além de fragilizar a posição do Executivo em votações futuras.

Diante do impasse, a oposição levou o pleito ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e solicitou autorização para a votação segmentada dos dispositivos. A definição sobre o formato da análise deve influenciar diretamente o desfecho da sessão e pode ampliar o desgaste político do governo, que já enfrenta dificuldades recentes na articulação com o Legislativo.

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