Mohave 4.6: Kia já vendeu no Brasil um “SUVzão V8 de 7 lugares” que hoje custa na FIPE cerca de R$ 51 mil
Veículo entrega 340 cv, 44,4 kgfm, tração 4×4, câmbio de 6 marchas e quase 4,90 metros de comprimento

Em 2009, a Kia colocou no mercado brasileiro um dos SUVs mais incomuns de sua história por aqui. O Mohave chegou como um utilitário grande, construído sobre chassi, preparado para sete ocupantes e oferecido com motores V6 a gasolina, V6 turbodiesel e até um enorme 4.6 V8 a gasolina. Em 2010, o UOL registrava a versão de oito cilindros por R$ 149.900.
Mais de 15 anos depois, a situação mudou completamente. Em setembro de 2026, a versão Mohave EX 4.6 V8 2009 tem referência FIPE de R$ 51.092, enquanto exemplares 2009/2010 aparecem nos classificados na região de R$ 62 mil. Por esse dinheiro, o comprador encontra 340 cv, sete lugares, 4,88 metros de comprimento e uma arquitetura que praticamente desapareceu dos SUVs atuais.

Mohave V8 de 2009 tem FIPE de apenas R$ 51 mil
Em setembro de 2026, o Kia Mohave EX 4.6 V8 32V 340 cv 4×4 automático de 2009 aparece com valor FIPE de R$ 51.092. É atualmente a versão mais barata entre os três Mohave daquele ano registrados na tabela.
O V6 3.8 de 275 cv aparece praticamente no mesmo patamar, com R$ 52.068, enquanto o 3.0 V6 turbodiesel vale R$ 68.919. O curioso é que justamente o V8, mecanicamente mais extravagante, acabou se tornando a referência mais barata da linha 2009.
O valor FIPE não significa que seja fácil encontrar um exemplar conservado por R$ 51 mil. A oferta é pequena e o mercado real mostra preços diferentes de acordo com quilometragem, conservação e histórico.

Nos classificados, V8 aparece por cerca de R$ 62 mil
Uma busca nacional da Webmotors encontrou um Mohave 4.6 V8 4×4 2009/2010 com 124 mil km anunciado por R$ 62 mil em São Paulo. Outra captura recente da mesma plataforma mostrava um exemplar semelhante por R$ 61.900.
Na OLX, também havia um Mohave V8 2011 com 128 mil km anunciado por R$ 75.900. A diferença mostra como a idade e o ano-modelo alteram bastante o preço de um carro que já é raro por natureza.
Ainda assim, mesmo os R$ 62 mil observados nos anúncios são surpreendentes. Estamos falando de um SUV que mede quase 4,90 metros, pesa mais de duas toneladas e utiliza um motor V8 aspirado com potência superior à de muitos esportivos.

Motor 4.6 V8 entrega 340 cv
O coração dessa versão é um V8 de 4.627 cm³, com duplo comando de válvulas, 32 válvulas e sistema CVVT de variação do comando. A potência máxima declarada é de 340 cv a 6.000 rpm.
O torque chega a 44,4 kgfm a 3.500 rpm, valor bastante alto para um motor aspirado da época. Não há turbocompressor ajudando a produzir força; toda a potência vem dos oito cilindros e dos 4,6 litros de cilindrada.
Esse conjunto transforma o Mohave em uma espécie de sobrevivente de outro período da indústria. Hoje, mesmo SUVs grandes passaram a utilizar motores menores, turbo, híbridos ou sistemas elétricos para reduzir consumo e emissões.

Câmbio automático de seis marchas acompanha o V8
A versão 4.6 trabalha com transmissão automática de seis velocidades, com possibilidade de seleção sequencial.
O mesmo número de marchas também era utilizado pelo 3.0 turbodiesel, enquanto o V6 3.8 a gasolina tinha caixa automática de cinco marchas.
Para 2010, essa transmissão já representava uma configuração sofisticada para um utilitário desse porte. O objetivo era aproveitar melhor a faixa de torque do V8 e reduzir a rotação nas viagens de estrada.
A ficha da época registra sexta marcha bastante longa, com relação de 0,691. Isso ajuda a entender como a Kia tentou equilibrar força e uso rodoviário mesmo colocando 4,6 litros de cilindrada sob o capô.

Tração 4×4 reforça a proposta de utilitário grande
O material técnico da Kia registra tração 4×4 Part Time para a linha Mohave vendida naquele período. É uma configuração diferente da tração integral permanente usada por muitos crossovers atuais.
O sistema permite que o veículo trabalhe de acordo com as condições de aderência e reforça a origem mais utilitária do projeto. A própria documentação brasileira também registra controles eletrônicos de tração e estabilidade, assistência em aclives e controle de descida.
Isso coloca o Mohave em uma categoria diferente de SUVs construídos principalmente para asfalto. Ele combina tamanho familiar com uma estrutura pensada para suportar mais esforço fora do ambiente urbano.

Carroceria é montada sobre chassi separado
Um dos dados mais importantes da ficha técnica aparece na arquitetura. A Kia descrevia o Mohave como uma carroceria de aço estampado montada sobre chassi, solução conhecida como body-on-frame.
É o mesmo princípio estrutural usado tradicionalmente em picapes e grandes utilitários. Em vez de depender somente de uma carroceria monobloco, o veículo possui uma estrutura separada responsável por receber grande parte dos esforços.
Essa construção favorece aplicações mais pesadas e ajuda a explicar o peso elevado. No V8 4×4, a ficha aponta aproximadamente 2.302 kg em ordem de marcha.




