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Exportações sufocadas: setor da madeira no Brasil entra em colapso sob pressão das tarifas dos Estados Unidos

Brasil perde competitividade no setor de madeira e enfrenta onda de suspensões: entenda o que está por trás da nova crise industrial

O conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos, intensificado nos últimos meses por medidas protecionistas unilaterais, atingiu em cheio um dos setores mais tradicionais do país: a indústria da madeira. O aumento repentino das tarifas imposto pelo governo norte-americano gerou um efeito dominó em toda a cadeia produtiva, provocando cancelamento de pedidos, acúmulo de estoque, suspensão de turnos e, mais recentemente, paralisações em massa de trabalhadores.

O caso mais simbólico desse colapso foi divulgado em 22 de julho de 2025, quando a empresa BrasPine, uma das maiores exportadoras de madeira industrializada do Brasil, anunciou a concessão de férias coletivas para 1.500 funcionários, o que representa cerca de 60% de sua força de trabalho. A medida afetou as unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba, no interior do Paraná, e escancarou o que já vinha sendo comentado nos bastidores: a indústria florestal brasileira está à beira de um colapso nas exportações.

Tarifas proibitivas: a raiz da crise

O gatilho dessa crise foi o reajuste tarifário imposto por Washington, que elevou os impostos sobre produtos madeireiros brasileiros para até 50%, enquanto países como Canadá, Chile e Suécia seguem pagando entre 10% e 20% para acessar o mesmo mercado.

Essa disparidade tornou a madeira brasileira comercialmente inviável para seus principais parceiros, especialmente os Estados Unidos, que até este ano eram o principal destino das exportações do setor. As empresas começaram a ver seus pedidos sendo cancelados e suas margens de lucro evaporando de um dia para o outro.

“Estamos enfrentando uma perda total de competitividade. Mesmo com toda a eficiência e certificação ambiental que temos, já não conseguimos competir em condições de igualdade”, afirmou recentemente um representante do sindicato florestal do sul do Brasil em entrevistas à imprensa local.

O impacto social: mais do que números

A situação se torna ainda mais grave ao observar os efeitos diretos nas comunidades que dependem desse setor. Somente no Paraná, estima-se que o setor florestal empregue mais de 80 mil pessoas, muitas delas em cidades pequenas cuja economia gira em torno da indústria madeireira e do cultivo de pínus para corte. As suspensões como a da BrasPine, portanto, não são casos isolados, mas um sinal de alerta sobre o que pode se tornar uma crise nacional.

Em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, municípios profundamente ligados à cadeia da madeira, o clima é de incerteza total. Comerciantes, transportadoras e fornecedores já sentem a redução da circulação de renda, e os governos municipais temem uma explosão do desemprego se não houver uma reação rápida das autoridades.

Produção sustentável, mas sem saída comercial

Paradoxalmente, o Brasil possui um dos sistemas florestais mais avançados do mundo. O país conta com mais de 9 milhões de hectares de florestas plantadas, principalmente de eucalipto e pínus, geridas sob normas rígidas de reflorestamento e rastreabilidade ambiental. Empresas como a BrasPine e outras do setor investiram milhões em certificações internacionais para garantir a sustentabilidade de sua produção.

No entanto, essa vantagem ambiental não tem sido suficiente para proteger o país no jogo geopolítico do comércio internacional. As medidas dos Estados Unidos respondem mais a interesses internos de proteção de sua própria indústria do que a critérios técnicos ou ambientais. Como resultado, o Brasil é penalizado por sua eficiência, sem acesso aos benefícios prometidos a quem segue boas práticas ambientais.

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