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Menos professores: veja pontos de atenção do Anuário de Educação Básica

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 é elaborado pelo Todos Pela Educação e revela dados dos últimos anos sobre a aprendizagem no Brasil

O Brasil registrou avanços no acesso à Educação Básica no último ano, mas os resultados do Anuário Brasileiro de Educação Básica 2026 mostram que as desigualdades educacionais continuam marcando a trajetória dos estudantes desde os primeiros anos de vida e cada vez menos estudantes pensam em dar aulas.

O documento apontou tendências dentro da Educação Básica Brasileira, mostrando não apenas dados sobre os estudantes nas escolas, mas como aqueles que atingem o Ensino Superior estão cada vez mais distantes das carreiras em sala de aula.

Carreira docente

O Anuário também aponta uma redução na participação dos estudantes com melhores desempenhos no Enem entre os ingressantes em cursos de Licenciatura. Em 2020, 22,7% dos novos estudantes desses cursos estavam entre os 20% com maiores notas no exame. O percentual caiu para 14% em 2023, o menor índice da série iniciada em 2018, e chegou a 14,7% em 2024.

Naquele ano, portanto, apenas 14,7% dos ingressantes em licenciaturas que tinham notas do Enem estavam no quintil de maior desempenho. Em Direito, esse percentual era de 32,6%, enquanto, em Medicina, chegava a 81,2%.

Os dados sobre os ingressantes em licenciaturas foram obtidos a partir dos microdados disponibilizados na sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), extraídos em março de 2026.

A formação dos futuros professores também apresenta desafios. Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes dos cursos de licenciatura avaliados atingiram o nível adequado no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Outros 42,2% ficaram abaixo do nível básico.

A diferença é maior quando considerada a modalidade de ensino. Entre os estudantes de licenciaturas na modalidade a distância, 53,1% ficaram abaixo do nível básico no exame, percentual que foi de 26,1% entre os alunos de cursos presenciais.

96,1% das crianças de 4 e 5 anos estavam matriculadas na Educação Infantil, sendo este o maior percentual da série histórica e próximo da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação. Ao mesmo tempo, diferenças de renda e raça permanecem expressivas no acesso e na conclusão das etapas escolares.

Entre as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de matrícula cresceu 2,2 pontos percentuais em relação a 2024 e 12,7 pontos percentuais na comparação com 2015. O avanço, porém, ocorre de forma desigual de acordo com a renda familiar.

Em 2025, apenas 34,7% das crianças mais pobres estavam matriculadas nessa faixa etária, ante 54,7% entre as mais ricas – uma diferença de 20 pontos percentuais.

As diferenças permanecem ao longo da trajetória escolar e também aparecem no recorte étnico-racial. Em 2025, 92,1% dos jovens brancos e amarelos haviam concluído o Ensino Fundamental até os 16 anos. Entre pretos, pardos e indígenas, o percentual era de 86,3%. No Ensino Médio, a distância era maior: 81,7% dos jovens brancos e amarelos haviam concluído essa etapa até os 19 anos, contra 69,5% entre pretos, pardos e indígenas.

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