Primeira amostra do petróleo descoberto no Amapá segue para laboratório da Petrobras no Rio
Material retirado do poço Morpho será submetido a análises de pressão, volume e temperatura no Cenpes; resultados ajudarão a Petrobras a conhecer as características do petróleo encontrado na costa amapaense

por Luis Eduardo
A primeira amostra do petróleo encontrado pela Petrobras no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá, iniciou uma viagem de aproximadamente três semanas até o Rio de Janeiro. O material será analisado no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras, o Cenpes, e poderá fornecer algumas das informações técnicas mais importantes obtidas até agora sobre a descoberta na Margem Equatorial.
A amostra está sendo transportada por via terrestre em uma operação que exige cuidados especiais. Segundo o gerente-geral de Águas Ultraprofundas da Petrobras, Fabio Passarelli, trata-se de um material extremamente valioso para a companhia justamente por ser a primeira amostra disponível para uma caracterização detalhada do fluido encontrado no reservatório.
Passarelli chegou a comparar a importância da amostra a “ouro” para a companhia, destacando que o material não pode ser perdido durante o transporte.
O petróleo deverá chegar ao Cenpes, localizado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde será encaminhado para um laboratório especializado em análises PVT — Pressão, Volume e Temperatura.
O que a Petrobras quer descobrir
A análise permitirá conhecer propriedades fundamentais do petróleo encontrado no Morpho.
Nos testes PVT, os pesquisadores estudam o comportamento do fluido sob diferentes condições de pressão, volume e temperatura. Também podem ser identificadas características de sua composição e a presença de contaminantes.
Na prática, é uma espécie de caracterização técnica do petróleo.
As informações são importantes para compreender como o fluido se comporta dentro do reservatório e fornecer dados necessários às avaliações seguintes da descoberta.
O Cenpes é um dos principais complexos de pesquisa aplicada da Petrobras e desenvolve estudos relacionados, entre outras áreas, às geociências, engenharia de reservatórios, poços e tecnologias de produção de petróleo e gás.
O que o exame ainda não vai responder
Apesar da importância da análise, o resultado não deve ser confundido com uma declaração de comercialidade do Morpho.
A Petrobras ainda não informou oficialmente quanto petróleo existe na acumulação descoberta nem qual parcela poderia ser tecnicamente recuperada.
Também não há, neste momento, uma estimativa oficial de reservas para o Morpho.
O estudo da primeira amostra permitirá conhecer melhor o petróleo encontrado, enquanto o dimensionamento da descoberta dependerá de um conjunto maior de informações geológicas, testes e novas perfurações.
Essa diferença é fundamental.
Saber as características do óleo é uma etapa da avaliação. Saber quanto petróleo existe, quanto pode ser recuperado e se a produção será economicamente viável exige outras etapas da campanha exploratória.
Descoberta ocorreu em agosto
A Petrobras anunciou em 14 de agosto a identificação de hidrocarbonetos no Morpho, oficialmente denominado 1-BRSA-1405-APS.
O poço está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em frente à região de Oiapoque, e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A perfuração ocorre em lâmina d’água de 2.886 metros.
Inicialmente, a companhia informou que o intervalo portador de hidrocarbonetos havia sido identificado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha.
Posteriormente, a própria Petrobras passou a tratar publicamente o resultado como uma descoberta de petróleo. Em 17 de agosto, a presidente da estatal, Magda Chambriard, realizou coletiva em Oiapoque dedicada à descoberta.
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a NS-42, navio-sonda responsável pela perfuração do Morpho.
Próximos três poços podem revelar tamanho da descoberta
Enquanto a primeira amostra segue para análise no Rio de Janeiro, a Petrobras prepara a continuidade da campanha exploratória na Bacia da Foz do Amazonas.
A estatal pretende perfurar outros três poços no bloco FZA-M-59: Manga, PAD-Morpho e Crotalus.
As novas perfurações dependem das respectivas autorizações ambientais.
Entre elas, o PAD-Morpho terá importância especial para a descoberta porque deverá fornecer informações adicionais sobre a extensão da acumulação identificada pelo primeiro poço.
São justamente esses dados que poderão ajudar a responder à pergunta que movimenta o setor de petróleo e gás e gera enorme expectativa no Amapá:
Qual é o tamanho da descoberta do Morpho?
Amaralina Star assume próxima etapa
A continuidade da campanha também terá uma mudança importante no mar.
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, confirmou que o próximo navio-sonda a atuar na Bacia da Foz do Amazonas será o NS-43 Amaralina Star, operado pela Constellation.
A unidade substituirá a NS-42, ODN II, da Foresea, responsável pela perfuração do Morpho.
A ODN II precisará passar por manutenção. Antes de seguir para a região Norte, o Amaralina Star deverá passar por procedimentos de preparação e limpeza.
A substituição não significa, isoladamente, que a Petrobras tenha identificado uma reserva maior no Morpho. As duas sondas possuem capacidade para realizar operações em águas ultraprofundas.
O ponto decisivo será o resultado das próximas etapas.
A análise do óleo no Cenpes permitirá conhecer melhor o que foi encontrado. Já as novas perfurações deverão ajudar a Petrobras a descobrir quanto existe.
Somente com a reunião dessas informações será possível avançar na avaliação sobre a viabilidade econômica da primeira descoberta de petróleo realizada pela Petrobras em águas profundas da costa do Amapá.



