Buraco negro gigantesco desafia o que a ciência acreditava ser possível
Phoenix A* teria massa de 100 bilhões de sóis, supera o famoso TON 618 e fica no centro de um dos maiores aglomerados de galáxias já conhecidos

Localizado no aglomerado de Fênix, a 5,7 bilhões de anos-luz da nossa galáxia, Phoenix A* teria massa equivalente a 100 bilhões de sóis e ultrapassaria o TON 618, estimado em 40,7 bilhões de massas solares, reacendendo o debate sobre até onde buracos negros supermassivos podem crescer
O buraco negro Phoenix A* passou a chamar atenção por desafiar uma antiga noção sobre o tamanho máximo desses objetos no universo. Localizado no aglomerado de Fênix, a 5,7 bilhões de anos-luz da nossa galáxia, ele teria massa equivalente a 100 bilhões de sóis.
Esse número coloca Phoenix A* acima do TON 618, quasar hiperluminoso que, até dois anos atrás, era tratado como o maior buraco negro conhecido. O TON 618 possui massa estimada em 40,7 bilhões de vezes a massa do Sol e fica a 10,4 bilhões de anos-luz da Terra.
O que torna um buraco negro tão difícil de observar
Buracos negros estão entre os objetos mais extremos já identificados no universo. Sua gravidade é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar depois de cruzar o horizonte de eventos, a fronteira em que o espaço-tempo passa a se comportar de forma extrema.
Por esse motivo, fotografar um buraco negro é uma tarefa complexa. A primeira imagem direta de um buraco negro supermassivo foi obtida em 2019 pelo Event Horizon Telescope, mostrando o objeto M87*, no centro da galáxia elíptica Messier 87.
M87* tem massa bilhões de vezes maior que a do Sol. Ainda assim, estimativas feitas a partir do tamanho de suas galáxias indicam que há 38 buracos negros conhecidos maiores que ele.
Phoenix A* supera antigo limite estimado
Antes de Phoenix A* entrar nessa discussão, havia a ideia de que buracos negros não ultrapassariam 50 bilhões de massas solares. A estimativa atribuída ao objeto no núcleo da galáxia Fênix A rompeu esse patamar de forma expressiva.
A galáxia Fênix A fica no centro do aglomerado de Fênix, descoberto em 2010 pelo Telescópio do Polo Sul. Esse aglomerado está entre os maiores já conhecidos e se destaca também por ser o que mais emite raios X.
Tamanho ajuda a explicar o impacto da descoberta
A comparação visual entre Phoenix A*, TON 618 e a órbita de Netuno mostra a escala incomum desse objeto. A dimensão estimada é tão grande que ele poderia engolir todo o Sistema Solar, ao menos na comparação de tamanho.
Mesmo com números impressionantes, o mistério permanece. O interior de um buraco negro continua inacessível, e talvez nunca seja possível saber o que existe além do horizonte de eventos. Essa combinação de escala, distância e incerteza mantém esses objetos entre os temas fascinantes da astronomia moderna atual.
O estudo dos buracos negros
Buracos negros ajudam cientistas a estudar alguns dos limites mais extremos da física. Como concentram muita massa em regiões compactas, eles permitem investigar gravidade intensa, comportamento da luz e efeitos sobre o espaço-tempo.
No caso dos buracos negros supermassivos, o interesse também está na relação com as galáxias onde se encontram. Mesmo quando não podem ser vistos diretamente, sua presença pode ser estimada por efeitos no entorno, emissões associadas e cálculos ligados ao tamanho das galáxias. Por isso, objetos como Phoenix A* ampliam a discussão sobre até onde esses sistemas podem crescer.
A estimativa de 100 bilhões de massas solares para Phoenix A* aparece em um estudo publicado em 2016 na revista Astronomy & Astrophysics, que propôs uma estratégia de busca para os buracos negros centrais mais massivos em aglomerados de galáxias. O trabalho indica que o buraco negro nuclear do aglomerado de Fênix poderia ter massa da ordem de 10¹¹ massas solares, mas esse valor resulta de modelagem e não de uma medição direta por órbitas estelares.



