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Terremotos agravam crise de água e moradia na Venezuela

Duas semanas após os tremores duplos que devastaram o norte do país, milhares seguem sem casa, sem água potável e vivendo em abrigos improvisados, enquanto governo busca recursos para reconstrução

As caixas d’água azuis são parte do cenário urbano da Venezuela. Muitas famílias, inclusive na capital Caracas, precisam armazenar água nos dias em que a empresa estatal de abastecimento comparece. Em algumas comunidades, esse fornecimento de água potável chega a ocorrer a cada dois meses. Os terremotos que atingiram o norte da Venezuela duas semanas atrás arruinaram os já precários serviços de abastecimento, saneamento e higiene do país.

Maiquetía fica no estado costeiro de La Guaira, o mais atingido pela tragédia. O que antes era um destino turístico caribenho, virou um banheiro a céu aberto. Famílias passaram a usar a praia para tomar banho e fazer suas necessidades fisiológicas.

O cenário é ideal para a propagação de doenças, ainda mais sob altas temperaturas e chuvas sazonais, afirma Beatriz Ochoa, diretora regional para a América Latina do Conselho Norueguês para Refugiados.

Muitos moradores estão em abrigos temporários ou ao relento, com pouca privacidade e sem ter ideia se terão para onde voltar. “Vi famílias fazendo tudo o que podem para manter a dignidade em condições extremamente difíceis”, relatou Ochoa. “Em um abrigo temporário, vi famílias se organizando para manter limpas as áreas comuns, incluindo banheiros improvisados e sistemas básicos de gestão de resíduos. A determinação delas é notável, mas as famílias não deveriam ter de suportar esse fardo sozinhas”

Selos verde, amarelo ou vermelho

Engenheiros e arquitetos avaliam o perigo das casas afetadas pelos terremotos e marcam com um adesivo verde as que estão seguras, com um amarelo as que precisam de reparos, e em vermelho as que precisam ser evacuadas.

Ela continua circulando por sua residência e dormindo com mais cinco parentes em barracas no quintal, em um bairro de baixa renda em Catia la Mar, a cerca de dez quilômetros de Maiquetía. O piso está afundado e rachado, e as colunas apresentem danos visíveis. É uma das casas que terão o adesivo vermelho colado na fachada.

Em La Guaira, mais de 800 prédios foram afetados, dos quais 190 desabaram totalmente.

Até o momento, o registro oficial é de que 3.811 pessoas morreram após os dois terremotos. Os tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, também deixaram 16.740 feridos e 17.907 desabrigados, informou o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

O Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres estimou os danos físicos diretos a moradias e infraestrutura em cerca de 37 bilhões de dólares (R$ 190,5 bilhões), valor equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.

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