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Pará e Amapá entram em disputa por base de apoio da Petrobras na Margem Equatorial

Embróglio surgiu após fala de Magda Chambriard sobre Belém, mas estatal admite estruturas nos dois estados

Declarações da presidente da Petrobras sobre a capacidade logística de Belém provocaram reação no Amapá, que mantém negociações com a Transpetro para atrair investimentos e participar das operações de petróleo na costa norte do Brasil


A disputa pela infraestrutura de apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial ganhou um novo capítulo em outubro de 2026. Pará e Amapá querem participar dos investimentos logísticos da Petrobras, mas uma declaração da presidente da estatal, Magda Chambriard, sobre a estrutura disponível em Belém provocou questionamentos no estado vizinho, onde estão localizadas as descobertas de petróleo que motivam a expansão das operações offshore.

Em 9 de outubro, durante visita à capital paraense, Magda afirmou que Belém apresenta melhores condições logísticas do que Oiapoque, no Amapá, para atender às atividades da companhia. A avaliação repercutiu porque uma eventual base de apoio poderá movimentar contratos de transporte, serviços portuários, fornecimento de materiais e atividades industriais.

A presidente da Petrobras voltou ao assunto no dia seguinte. Em manifestação divulgada em 10 de outubro, esclareceu que sua declaração não significava a exclusão do Amapá dos planos da empresa.

O que afirmei foi a possibilidade de contarmos com estrutura logística no Pará e no Amapá”, escreveu Magda.

O esclarecimento mudou o rumo da discussão: em vez de uma escolha anunciada entre os dois estados, o cenário apresentado pela companhia passou a admitir estruturas complementares. Não existe, nas informações divulgadas até agora, uma decisão definitiva que concentre toda a infraestrutura futura em apenas um estado.

Por que Belém ganhou vantagem na avaliação da Petrobras

A capital paraense já integra o planejamento logístico da Petrobras para as operações exploratórias na costa do Amapá. Em comunicado divulgado em maio de 2023, a empresa identificou o porto de Belém como base de apoio marítimo, o aeroporto de Oiapoque como estrutura aérea e instalações em Belém voltadas ao atendimento à fauna.

A importância dessa estrutura foi destacada novamente por Magda Chambriard durante sua passagem pelo Pará, em 9 de outubro.

A executiva afirmou que Belém está mais preparada para dar suporte às operações offshore do que Oiapoque, sobretudo diante da possibilidade de desenvolvimento de um novo polo de petróleo na região Norte.

A questão envolve mais do que a distância entre um porto e as áreas de perfuração. Campanhas offshore exigem uma cadeia logística capaz de receber equipamentos, armazenar materiais, mobilizar embarcações, transportar profissionais e atender demandas técnicas que podem surgir durante as operações.

Uma base de apoio marítimo precisa reunir condições para movimentar cargas industriais, equipamentos de perfuração, suprimentos e peças de reposição. Sua operação também depende de acessos terrestres, infraestrutura portuária, instalações especializadas e integração com os serviços de transporte aéreo.

É nesse ponto que a discussão ganha importância econômica. A localização da infraestrutura pode influenciar onde serão contratados fornecedores, prestadores de serviços e trabalhadores, embora a distribuição efetiva desses benefícios dependa dos futuros investimentos e contratos.

Acordo com Transpetro e infraestrutura para setor offshore

O interesse do Amapá não começou com as declarações feitas em Belém. Em dezembro de 2025, o governo estadual formalizou um memorando de entendimento com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, para estudar alternativas de infraestrutura logística relacionadas às operações de petróleo e gás.

O acordo representa um avanço institucional nas negociações, mas não corresponde à aprovação definitiva de uma base nem garante sua construção.

A articulação passou por diferentes etapas ao longo de 2025. Em setembro daquele ano, o governador Clécio Luís visitou o Porto de Niterói, no Rio de Janeiro, para conhecer instalações e experiências ligadas ao apoio offshore. Em outubro, Magda Chambriard anunciou estudos sobre estruturas marítimas e logísticas no Amapá.

No mês seguinte, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, esteve no estado acompanhado de uma equipe técnica para avaliar possibilidades de implantação da infraestrutura.

A sequência mostra que o Amapá tenta construir condições próprias para participar da cadeia offshore, mesmo com parte das atividades logísticas já concentrada no Pará.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, procurou afastar a ideia de uma rivalidade institucional inevitável.

Segundo ele, o objetivo estadual é garantir participação nos investimentos que poderão surgir com o desenvolvimento da Margem Equatorial.

A principal diferença está entre utilizar a infraestrutura existente em Belém e instalar novas estruturas no Amapá. São possibilidades que podem coexistir, dependendo das necessidades operacionais identificadas pela Petrobras.

Descobertas de petróleo aumentam a importância da decisão logística

A discussão sobre as bases de apoio ocorre em um momento importante para a exploração de petróleo na costa do Amapá.

Em 2 de outubro de 2026, a Petrobras anunciou uma nova identificação de petróleo em águas profundas no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

A descoberta corresponde a um segundo intervalo com presença de petróleo identificado no mesmo poço, depois de uma primeira ocorrência anunciada em agosto.

As informações reforçaram o interesse exploratório da região, mas ainda não significam que exista um campo comercialmente viável ou uma decisão de iniciar a produção.

A Petrobras precisa aprofundar a avaliação dos reservatórios, analisar as características dos fluidos e executar novas perfurações para determinar o potencial econômico das descobertas.

Durante declarações feitas em outubro, Magda Chambriard informou que a companhia possui licença para perfurar mais três poços de delimitação e prevê outros oito poços no Amapá.

Esse cronograma exploratório ajuda a explicar por que a infraestrutura logística se tornou um tema de interesse regional.

Quanto mais intensa for uma campanha de perfuração, maior poderá ser a demanda por embarcações, equipamentos, transporte, manutenção e serviços especializados. A dimensão desses contratos, entretanto, dependerá da evolução do projeto e de futuras decisões da Petrobras.

A localização dos depósitos de petróleo e a localização das bases de apoio não precisam coincidir. O trabalho offshore frequentemente depende de estruturas distribuídas por diferentes cidades, conforme sua capacidade operacional e as exigências de cada atividade.

Petrobras poderá trabalhar com estruturas no PA e AP, mas novos investimentos ainda dependem de estudos

Após a repercussão da declaração sobre Belém, o governo do Amapá reafirmou que continuará negociando com a Petrobras e a Transpetro.

O entendimento apresentado pelas autoridades estaduais é que o uso das instalações paraenses não elimina a possibilidade de novos investimentos em território amapaense.

Na prática, o Pará já possui participação consolidada em atividades logísticas da campanha exploratória, enquanto o Amapá busca transformar estudos e negociações em projetos concretos.

A definição das próximas estruturas dependerá de fatores como viabilidade técnica, disponibilidade portuária, custos operacionais, requisitos ambientais e necessidades das campanhas de perfuração.

Também será necessário distinguir a infraestrutura utilizada na exploração daquela que eventualmente poderá atender à produção comercial de petróleo. São fases diferentes, com demandas logísticas que podem mudar significativamente.

O fato concreto é que a Petrobras não anunciou a exclusão do Amapá nem confirmou a construção de uma nova base definitiva no estado. O que existe é uma estrutura operacional já utilizada no Pará, um acordo de estudos com a Transpetro e a possibilidade, reconhecida pela presidente da companhia, de utilização de instalações nos dois estados.

Com novas avaliações previstas para o poço Morpho, a definição sobre investimentos logísticos tende a acompanhar o avanço da exploração na Margem Equatorial. Para Pará e Amapá, a próxima etapa será demonstrar quais estruturas podem atender às exigências operacionais e transformar essa participação em oportunidades econômicas.

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