De 6×1 a Moraes: Alcolumbre acumula pressões do governo e da oposição
Lula cobra votação de pautas populares, enquanto oposição pressiona presidente do Senado por reação à crise no Supremo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), concentra nas mãos decisões capazes de atender, ou frustrar, governo e oposição em meio a uma sequência de pautas represadas no Congresso Nacional.
Alcolumbre, porém, não ocupa posição passiva nesse embate.
A maior cobrança do Planalto é pela PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e dá dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Lula já demonstrou incômodo com a demora e passou a cobrar publicamente a votação.
O status dos temas que estão nas mãos de Alcolumbre
- Fim da escala 6×1: aprovada pela CCJ, a PEC aguarda espaço no plenário, cuja pauta é definida pelo presidente do Senado;
- PEC da Segurança Pública: a proposta ainda depende da conclusão da análise no Senado antes de poder avançar;
- Pedidos contra Moraes: representações de impeachment continuam acumuladas na Casa e dependem de decisão da presidência do Senado para tramitar;
- Reação à crise no STF: a oposição tenta reduzir o poder individual de Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment e pressiona por mudanças no regimento da Casa.
Oposição quer impeachment de Moraes
Do lado da oposição, a cobrança aumentou com os desdobramentos do caso envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A ausência de resposta definitiva do STF levou senadores oposicionistas a deslocarem parte da pressão para Alcolumbre.
Também surgiram representações contra o próprio presidente da Casa pela resistência a dar andamento a processos contra integrantes da Corte.
O presidente do Congresso disse a jornalistas que o Senado acumulava 109 pedidos de impeachment contra ministros da Corte e classificou a quantidade como fora da normalidade.
A oposição, por isso, tenta mexer justamente na principal fonte de poder de Alcolumbre nesse debate.
O líder do grupo no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defende mudar o Regimento Interno para permitir que pedidos de impeachment avancem quando reunirem apoio da maioria absoluta dos senadores, sem depender exclusivamente da decisão do presidente da Casa.
Alcolumbre não autorizou sessão extraordinária solicitada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para o dia do julgamento de Moraes. Sem a sessão, parlamentares da oposição se reuniram em comissão para acompanhar a transmissão da análise feita pelo Supremo.



