África está lentamente se partindo e cientistas encontram crosta com apenas 13 km em região que pode dar origem a um novo oceano
Processo de afinamento mais intenso começou há cerca de 4 milhões de anos e colocou região em uma etapa importante que antecede a ruptura continental

Novo estudo analisou uma região do Quênia onde o continente está sendo esticado e encontrou sinais de uma etapa importante que antecede a ruptura continental.
A África Oriental passa por um processo geológico capaz de transformar completamente o mapa do continente no futuro. Um novo estudo encontrou uma região no Quênia onde a crosta cristalina já afinou para cerca de 13 quilômetros, resultado do lento processo de separação que ocorre nesta parte do planeta.
A descoberta aconteceu na Zona de Rifte de Turkana, que integra o Sistema de Riftes da África Oriental. Publicado em 2026 na revista científica Nature Communications, o trabalho aponta que a região atingiu uma etapa importante da evolução de um rifte continental.
O processo ocorre de maneira extremamente lenta para a escala humana. Ao longo de milhões de anos, porém, o contínuo afastamento e afinamento da crosta pode levar à ruptura completa do continente. Caso essa evolução geológica prossiga, uma das consequências possíveis é a formação de uma nova bacia oceânica.
Crosta chegou a apenas 13 quilômetros
Para entender a importância da descoberta, primeiro é necessário olhar para o que existe abaixo da superfície.
A crosta terrestre não possui a mesma espessura em todos os lugares. Nas regiões continentais, ela geralmente apresenta dezenas de quilômetros de espessura. Em Turkana, entretanto, os pesquisadores encontraram a crosta cristalina reduzida a aproximadamente 13 quilômetros no eixo do rifte.
Os cientistas chegaram ao resultado após combinar dados sísmicos de alta resolução com informações obtidas em poços e observações geológicas da região.
A espessura encontrada coloca Turkana dentro de uma faixa considerada característica de uma etapa conhecida como “necking”, termo utilizado pelos geólogos para descrever o momento em que o estiramento passa a concentrar a deformação e afinar significativamente a crosta.
De maneira simplificada, é semelhante ao que acontece quando um material é puxado pelas duas extremidades: antes de se romper, uma determinada região começa a ficar progressivamente mais fina. No caso de um continente, entretanto, o processo ocorre em dimensões gigantescas e pode durar milhões de anos.
Por que a África está se partindo?
O fenômeno está ligado ao Sistema de Riftes da África Oriental, uma enorme região tectonicamente ativa onde a litosfera – camada rígida formada pela crosta e pela parte superior do manto – está sendo esticada.
Esse processo envolve diferentes blocos tectônicos. À medida que eles se movimentam, a crosta sofre deformações, falhas e afinamento.
Mas existe outra peça importante acontecendo muito abaixo da superfície.
Um estudo publicado em 2023 no Journal of Geophysical Research: Solid Earth investigou a influência da chamada African Superplume, uma grande região de material anormalmente quente que ascende no manto terrestre abaixo da África.
Por meio de modelos termomecânicos tridimensionais e dados de movimentação da superfície, os pesquisadores encontraram evidências de que o fluxo do manto associado à superpluma ajuda a explicar parte das deformações observadas ao longo do Rift da África Oriental.
Isso não significa que uma única estrutura subterrânea esteja “rasgando” o continente. A abertura do rifte envolve diferentes forças tectônicas. A pesquisa, porém, mostra que processos que acontecem nas profundezas do planeta também participam da transformação observada na superfície.



