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Tarifaço: países devem exercer multilateralismo, mas diálogo é fundamental, dizem especialistas

Para eles, tensão institucional no Brasil e cenário internacional instável dificultam avanços nas negociações com os EUA

As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros passaram a valer nessa quarta-feira (6), atingindo setores estratégicos da economia, como o de café, frutas e carnes. Mesmo assim, o governo federal e empresas tentam negociar o fim da cobrança ou ao menos o afrouxamento da medida.

Segundo especialistas, essa é a estratégia mais recomendada, especialmente em um momento de instabilidade global. O advogado Pedro Calmon Filho, especialista em Direito Marítimo e sócio do PCFA & Associados, afirma que o diálogo direto entre lideranças é a forma mais eficaz de buscar uma solução.

“O Brasil acertou ao instituir seu comitê negociador e colocar o vice-presidente Geraldo Alckmin à frente. Trouxe autoridades com o conhecimento técnico e o tato diplomático necessários para lidar com o tema. Apesar disso, é difícil imaginar os Estados Unidos cedendo, principalmente diante do viés político e ideológico que permeia a questão do tarifaço”, avaliou.

Esse ponto também é mencionado por Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX e especialista em crédito. Ele destaca que a tensão institucional no Brasil e o cenário internacional instável dificultam avanços nas negociações com os EUA. E reforça que articulações multilaterais devem ser consideradas.

“O diálogo direto entre os países deve sempre ser priorizado, especialmente em momentos de tensão. Relações comerciais de longo prazo se constroem com confiança mútua e clareza nos interesses. No entanto, diante de um tarifaço com impacto imediato sobre setores estratégicos da economia brasileira, é fundamental que o país também explore articulações multilaterais, busque acordos com novos parceiros e diversifique seus canais de exportação”.

Pedro Calmon também defende o multilateralismo, especialmente diante do risco de produtos originalmente destinados aos Estados Unidos deixarem de ser exportados e precisarem ser absorvidos pelo mercado interno.

“Isso aumentaria a oferta e poderia provocar uma redução nos preços, o que, à primeira vista, beneficiaria o consumidor. No entanto, esse cenário pode ser prejudicial, já que a queda nos preços pode levar à venda abaixo do custo de produção, gerando prejuízo aos produtores e comprometendo futuras safras”.

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