Análise indica a presença de metais pesados no Rio Cupixi, em decorrência do colapso de um garimpo ilegal em Pedra Branca do Amapari
O resultado indicou a presença de alumínio, ferro, manganês e mercúrio em níveis superiores aos permitidos pela legislação

Por Marcelo Beijamim
O laudo divulgado na última sexta-feira (28), pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará, apontou a presença de metais pesados um pouco acima do permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As análises detectaram a presença de alumínio, ferro, manganês e mercúrio nas amostras de qualidade da água coletadas no Rio Cupixi, em Pedra Branca do Amapari, no Amapá.
Segundo o secretário da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), Cássio Peterka, em entrevista à TV Equinócio, esses estudos foram realizados para que não tenha nenhum problema na saúde das pessoas.

“Foram nove pontos que nós coletamos, dois pontos acima de onde aconteceu o acidente e sete abaixo no rio, para que a gente pudesse analisar a qualidade da água. A gente sabe que os metais estão presentes na água naturalmente e principalmente aqui na região do Amapá, e naquela região, a gente tem grandes jazidas de ferro, manganês e alumínio […]. A nossa ideia é monitorar, por isso os dois pontos acima, para saber como está a situação da água para que a gente possa acompanhar ao longo de todo esse processo os resultados”, diz o secretário da SVS, Cássio Peterka.
Conforme o laudo, o resultado observado para metais pesados, apresentaram valores de acima do limite estabelecido pelo Conama. Um desses metais detectados nas amostras foi o mercúrio, com 0,0003 miligramas por litro, ou seja, acima do permitido pela legislação que é de 0,0002 miligramas por litro de água.
De acordo com o toxicologista Alexandro Cezar, o mercúrio em contato com o meio ambiente e com os seres humanos pode trazer sérios danos à saúde, principalmente quando é despejado nos rios sem nenhum controle ou tratamento, como é o caso dos garimpos ilegais de mineração.

“[…] a mineração ilegal, ela não segue um protocolo porque não tem ninguém que fiscaliza, ninguém que diga que o que devem ou não devem fazer. Então esse material é totalmente desviado e levado para o ambiente aquático. A grande questão é que eles usam cianeto e mercúrio, são dois elementos extremamente tóxico, que pode provocar o ataque do sistema nervoso, problemas cardíacos. Desde problemas mais leves a problemas mais graves.”, explica Alexandro.
A SVS informou que continua monitorando o local e que novas analises de água serão feitas para garantir a segurança dos moradores da região. Também diz que está no aguardo do resultado dos sentimentos recolhidos do fundo do rio e do pescado, que está sendo realizado pelo Instituto de Pesquisa do Amapá (IEPA).
“A gente continua monitorando, a secretária de mineração, defesa civil, continuam lá no local, continuam fazendo todas as ações para que não tenham novos acidentes, assim como a secretária de assistência social que continua distribuindo cestas básicas para 1.000 famílias que praticamente foram atendidas.”, finaliza o secretário da SVS.
Relembre o caso
No dia 17 de fevereiro, uma barreira de rejeitos de garimpo ilegal se rompeu no município de Pedra Branca do Amapari, no Amapá, despejando diretamente sobre o Rio Cupixi uma grande quantidade de água com sedimentos de mineração. O incidente causou um grave impacto ambiental, na fauna e flora da região, além da contaminação dos rios Amapari e Araguari.

Desde o acidente, uma força tarefa foi montada na região para verificar as condições da população ribeira que vivem nos leitos dos rios atingidos, situação ambiental atingida e identificar os responsáveis pelo garimpo ilegal. Segundo o governo do estado, mais de 1.000 pessoas foram atingidas diretamente e indiretamente com a contaminação dos rios.
Participam das ações, representantes das secretarias de Meio Ambiente (Sema), Saúde (Sesa), Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Assistência Social (Seas), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil, Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), além das Secretarias de Estado de Mineração (Semin).



