Política Nacional

Transferido à PF, Vorcaro inicia movimento para negociar delação

Banqueiro fecha termo de confidencialidade com a PGR e deve procurar Polícia Federal para assinar o mesmo documento

Após a transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro já deu início às negociações para um acordo de delação premiada. O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade com a PGR (Procuradoria-Geral da República) para uma eventual colaboração sobre as investigações relacionadas ao Banco Master. A tendência é de que o banqueiro assine o termo também com a PF para fazer uma delação conjunta.

Nesta sexta-feira (20), o empresário terá uma reunião com o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, para decidir os próximos passos. Na última terça-feira (17), o advogado teve uma reunião no STF com Mendonça e conversou sobre a possibilidade de delação.

Caso Vorcaro decida por esse caminho, ele terá de oferecer informações efetivas e verificáveis, capazes de contribuir concretamente para o avanço das investigações – não basta apenas apresentar relatos genéricos. Quanto mais relevantes e comprováveis forem as informações prestadas, maiores tendem a ser os benefícios concedidos ao colaborador.

A lei sobre esse instrumento prevê uma série de possíveis recompensas jurídicas, que variam conforme o grau de utilidade da colaboração. Entre elas estão a redução de pena, a substituição por medidas restritivas de direitos e, em casos mais extremos, até o perdão judicial. Esses benefícios, no entanto, não são automáticos: dependem da avaliação do Ministério Público e da homologação pelo Judiciário – que seria o STF (Supremo Tribunal Federal) no caso de Vorcaro.

Segundo a norma, o descumprimento das cláusulas do acordo – como mentir, omitir informações relevantes ou violar o sigilo – pode levar à perda dos benefícios negociados, além de possíveis consequências legais adicionais.

Investigação da PF

Ao longo das investigações relacionadas ao Banco Master, Vorcaro teve o celular periciado pela Polícia Federal, o que revelou uma série de diálogos e contatos com autoridades importantes da política nacional.

A maior parte das conversas identificadas foi com a ex-namorada Martha Graeff. Nas mensagens, o banqueiro relata reuniões com autoridades, descreve bastidores do mercado financeiro e faz avaliações sobre políticos.

A perícia também apontou que o aparelho dele continha uma lista de contatos com nomes de peso do Judiciário, do Congresso e do sistema financeiro. Entre eles estão os ministros do STF Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

Também aparecem na lista a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, e autoridades do sistema financeiro, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o diretor de fiscalização Ailton Aquino e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza, alvo de operação da PF neste mês por envolvimento com as fraudes no Master.

A apuração da PF encontrou menções ao nome de Toffoli em documentos no celular de Vorcaro. Isso fez o ministro abandonar a relatoria de processos sobre o Master no STF e se declarar suspeito para julgar ações envolvendo o banqueiro.

Segundo a investigação, também foram identificadas referências a operações envolvendo uma empresa associada à família de Toffoli que vendeu participação no Resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados ao Banco Master.

Toffoli afirmou que a empresa da qual é sócio e que vendeu participação no resort é administrada por parentes. Segundo o ministro, ele não participa da gestão do empreendimento nem das decisões comerciais relacionadas ao negócio.

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