Brasil

Garimpo e briga por terra: conheça a cidade mais violenta da Amazônia

Cumaru do Norte (PA) nasceu do garimpo, mas atividade econômica também está por trás de alta taxa de mortes violentas

A cidade mais violenta da Amazônia tem conflitos entre garimpeiros e indígenas, além de desmatamento ilegal. Contraditoriamente, nenhuma facção criminosa foi identificada pelas forças de segurança.

O lugar em questão é Cumaru do Norte, com 14 mil habitantes, no sudeste do Pará. O município tem a maior taxa de mortes violentas da Amazônia Legal, quando se considera os últimos três anos (2021-2023).

Na última semana, a jovem Kamila de Jesus foi mais uma vítima. Ela foi assassinada dentro de um garimpo, que fica dentro da Terra Indígena Kayapó. Esse mesmo garimpo já foi alvo de diversas operações da Polícia Federal (PF).

O ranking das cidades mais violentas faz parte do estudo “Cartografia das Violências na Amazônia”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC).

“Além de atividade econômica, o garimpo que acontece em Cumaru e seu entorno é um problema social, uma das causas da violência na região”, avalia trecho do estudo.

O estudo identificou 260 cidades com a presença de facções criminosas na Amazônia, mas Cumaru não está entre elas.

Para os pesquisadores, a falta de evidências sobre a existência de facções no município reforça que o garimpo e os conflitos fundiários são os principais responsáveis pela violência.

A situação na cidade é tão grave que o Conselho de Segurança Nacional chegou a criar o Projeto Cumaru, com o objetivo de acabar com o contrabando de ouro, dar assistência aos garimpeiros e evitar conflitos com os indígenas.

O município também se destaca pela extração ilegal de madeira. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) classifica a situação na cidade como nível 4, em uma escala que vai de 1 a 5.

10 cidades com maiores taxas trienais (2021-2023) de mortes violentas intencionais na Amazônia Legal

  • Cumaru do Norte (PA): 141,3
  • Abel Figueiredo (PA): 115,5
  • Mocajuba (PA): 110,4
  • Novo Progresso (PA): 102,7
  • Nova Santa Helena (MT): 102,3
  • Iranduba (AM): 102,3
  • Calçoene (AP: 100,8
  • São José do Rio Claro (MT): 100,1
  • Nova Maringá (MT): 96,5
  • Floresta do Araguaia (PA): 93,2
Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo