Pico do Super El Niño tem data prevista para 2026 e fenômeno será o mais forte dos últimos 150 anos

O El Niño de 2026 continua avançando rapidamente e as projeções mais recentes aumentaram a expectativa de que o fenômeno alcance uma intensidade excepcional nos próximos meses. Modelos climáticos apontam que o pico deve ocorrer entre novembro e dezembro de 2026, com possibilidade de o episódio entrar para a lista dos mais fortes já observados.
A atualização de setembro da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostra que existe mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte durante o fim de 2026 e o inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte.
Além disso, a NOAA calcula 75% de chance de o trimestre outubro-novembro-dezembro registrar um evento histórico, com intensidade superior à de todos os episódios de El Niño registrados pela série utilizada pelo órgão desde 1950.
Projeções analisadas por pesquisadores também levantam a possibilidade de o episódio de 2026/2027 se transformar no El Niño mais intenso em pelo menos 150 anos de registros e reconstruções históricas. No entanto, essa comparação ainda depende de como o fenômeno realmente evoluirá até atingir seu máximo.
Quando será o pico do Super El Niño?
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que a intensificação deve continuar durante a primavera no Hemisfério Sul. A previsão mais recente indica que o fenômeno deverá alcançar seu ponto máximo entre novembro e dezembro de 2026.
Portanto, apesar de o El Niño já estar muito forte, o oceano ainda poderá esquentar mais nas próximas semanas.
A OMM estimou, em sua atualização para setembro, outubro e novembro, uma anomalia média próxima de 3,6°C na região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas pelos cientistas para acompanhar a evolução do fenômeno.
O termo “Super El Niño” não representa uma categoria meteorológica oficial separada. Especialistas costumam empregá-lo informalmente para descrever episódios excepcionalmente fortes.
Pacífico já registra aquecimento
Os dados divulgados pelo International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia, mostram que o aquecimento já alcançou níveis impressionantes.
Na semana centrada em 16 de setembro, o índice Niño 3.4 chegou a 3°C acima da média. Em agosto, a média mensal havia sido de 2,52°C, mostrando uma intensificação rápida em poucas semanas.
Além disso, os 22 modelos climáticos analisados pelo IRI projetam um El Niño muito forte durante o fim de 2026 e o começo de 2027.
A maioria dos modelos também indica que as anomalias na região Niño 3.4 poderão permanecer próximas ou acima de 3°C justamente durante o período em que o fenômeno costuma alcançar sua maior intensidade.
Outro fator aumenta a atenção dos meteorologistas. Uma enorme quantidade de água excepcionalmente quente permanece abaixo da superfície do Pacífico equatorial.
Segundo o IRI, algumas regiões entre aproximadamente 50 e 150 metros de profundidade apresentam temperaturas mais de 8°C superiores ao normal. Esse reservatório de calor pode continuar alimentando o aquecimento da superfície do oceano.
A NOAA também identificou áreas de subsuperfície com anomalias superiores a 10°C durante agosto.
Super El Niño pode ser o maior em 150 anos
Uma análise divulgada em julho reuniu centenas de simulações climáticas e indicou a possibilidade de o El Niño de 2026 superar os grandes episódios registrados desde o fim do século XIX.
A revista científica Nature destacou que pesquisadores consideram possível que o evento se transforme no maior em pelo menos 150 anos caso as projeções mais extremas se confirmem.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) também afirma que a NOAA e outras instituições projetam um evento muito forte, potencialmente entre os maiores observados em mais de 150 anos.
Entretanto, ainda não é possível afirmar definitivamente que o recorde será quebrado. A intensidade oficial dependerá das temperaturas observadas durante vários meses e da resposta conjunta entre oceano e atmosfera.
El Niño deve continuar em 2027
O fenômeno também não deverá desaparecer logo depois de atingir seu pico.
As projeções do IRI indicam 100% de probabilidade de manutenção do El Niño até o trimestre fevereiro-março-abril de 2027. Depois disso, a chance começa a diminuir conforme o fenômeno tende a perder força.
A previsão oficial da NOAA também mantém uma probabilidade extremamente elevada de El Niño durante os primeiros meses de 2027, antes de uma possível transição para condições neutras durante o segundo trimestre.
Isso significa que os efeitos associados ao fenômeno poderão continuar influenciando o clima mesmo depois do pico previsto para novembro e dezembro.
Brasil pode sentir impactos diferentes em cada região
No Brasil, o cenário exige atenção principalmente por causa das alterações na distribuição das chuvas e das temperaturas.
O boletim oficial produzido por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e Censipam aponta tendência de chuvas acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul também poderá registrar volumes superiores ao normal.
Por outro lado, áreas do Norte e Nordeste tendem a enfrentar menos chuva. Partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo também apresentam maior probabilidade de precipitações abaixo da média.
Além disso, os meteorologistas projetam temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil. A combinação de calor e períodos prolongados sem chuva também pode elevar o risco de queimadas principalmente nas regiões central e norte do país.
No Sul, por outro lado, um El Niño muito intenso pode favorecer episódios de chuva volumosa. Por isso, os órgãos brasileiros mantêm o monitoramento sobre a possibilidade de enchentes, temporais e outros eventos extremos.
Apesar disso, os cientistas reforçam que um El Niño mais forte não significa automaticamente impactos extremos em todos os lugares. Outros fatores atmosféricos e oceânicos também determinam onde e quando ocorrerão ondas de calor, secas ou grandes volumes de chuva.
Com o pico previsto para o fim de 2026 e grande quantidade de calor ainda armazenada no Pacífico, as próximas semanas serão decisivas para determinar se o atual Super El Niño realmente entrará para a história como o mais intenso das últimas gerações.



