Com nova alta, combustível da aviação volta passa de R$ 6 por litro
Reajustes constantes do QAV elevaram a pressão sobre companhias aéreas, que já gastaram R$ 7,6 bilhões a mais com combustível em 2026

O preço do QAV (querosene de aviação) voltou a subir em outubro e chegou a marca de R$ 6,38 por litro nas refinarias, segundo informações da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).
A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (1º) reajuste médio de 11,8% no preço de venda do combustível às distribuidoras, em meio à retomada das tensões no Oriente Médio e à alta das cotações internacionais.
Considerando o preço de referência informado para o setor, o litro do QAV passou de R$ 3,31 em fevereiro para R$ 6,28 em outubro, uma alta próxima de 90%. O período coincide com a escalada do conflito no Oriente Médio, que pressionou os preços do petróleo e dos derivados.
Em abril, o preço do QAV já havia acumulado alta de 90%. Naquele momento, porém, o valor do combustível chegou a um patamar ainda mais elevado, próximo de R$ 10 por litro nas refinarias.
A pressão sobre as companhias aéreas diminuiu no meio do ano. Em junho e julho, houve alívio temporário nas cotações, com redução no preço do combustível. Em agosto, porém, a Petrobras já anunciou uma nova alta nos preços.
O combustível acumula reajustes em seis dos dez primeiros meses de 2026. As exceções foram janeiro e fevereiro, antes do conflito no Oriente Médio, e junho e julho, quando a redução das tensões contribuiu para a queda das cotações do Petróleo no mercado internacional.
O QAV é um dos principais componentes dos custos das companhias aéreas e representa atualmente cerca de 46% das despesas operacionais do setor. Antes da escalada dos preços, a participação era estimada em cerca de 33%.
Segundo a Abear, o setor já gastou R$ 7,6 bilhões a mais com combustível em 2026 do que o projetado antes do conflito. Em junho, quando o QAV acumulava alta de 71% desde o início da guerra, a entidade calculava um gasto adicional de R$ 3,8 bilhões em relação às estimativas anteriores.
A Abear alerta que a sequência de reajustes pode pressionar a conectividade aérea no país e dificultar a ampliação do acesso da população ao transporte aéreo. A Petrobras, por sua vez, afirma que os reajustes refletem as cotações internacionais do QAV e as tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O impacto também se estende ao consumidor. A tarifa aérea média no Brasil subiu 10,4% em agosto na comparação com julho, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O preço médio passou de R$ 703,47 para R$ 776,87 por trecho.



