Rubio volta aos EUA com acordos e “riquezas” de aliados da América do Sul
Giro por Colômbia, Equador e Peru ampliou pactos de segurança, minerais críticos e comércio sob a estratégia de Trump

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerrou um giro de três dias pela América do Sul com uma série de acordos e compromissos firmados com Colômbia, Equador e Peru, países governados por líderes alinhados à agenda de segurança e política externa do presidente Donald Trump.
Colômbia amplia parceria com Washington
A primeira parada de Rubio foi a Colômbia, onde se reuniu com o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, em Barranquilla. A segurança foi um dos principais temas, com a formalização da entrada de Bogotá no Escudo das Américas, iniciativa liderada por Washington contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional.
Os governos também discutiram o reforço da cooperação militar, com compartilhamento de inteligência e equipamentos como radares e drones. Rubio afirmou que Washington tem interesse em ampliar a presença militar no país, inclusive com uma possível instalação americana ou conjunta, decisão que dependeria do governo colombiano.
Na área econômica, os dois países avançaram em acordos sobre minerais críticos e energia nuclear para fins civis, aproximando a Colômbia das cadeias de fornecimento dos EUA de terras raras, lítio e níquel, em uma estratégia para reduzir a dependência de fornecedores chineses.
Equador vira peça-chave na segurança
No Equador, Rubio se reuniu com o presidente Daniel Noboa, em Quito. A segurança e o combate ao narcotráfico dominaram a agenda.
Durante a visita, os Estados Unidos anunciaram a designação da organização criminosa equatoriana Los Tiguerones como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT).
Peru adere ao Escudo das Américas
A última etapa da viagem foi o Peru. Em Lima, Rubio se reuniu com a presidente Keiko Fujimori e acompanhou o anúncio da entrada do país no Escudo das Américas.
Segundo a presidente, a participação permitirá acelerar o intercâmbio de informações de inteligência e melhorar a coordenação entre os países no combate a organizações criminosas que atuam além das fronteiras.
China no centro da disputa
- Por trás dos acordos de segurança e comércio, há ainda uma disputa mais ampla entre Washington e Pequim pela influência econômica na América do Sul.
- A China ampliou sua presença na região nas últimas décadas por meio de investimentos em energia, mineração, infraestrutura, telecomunicações e portos.
- No Peru, um dos principais símbolos dessa expansão é o porto de Chancay, construído com participação de capital chinês.
- O terminal de águas profundas tem capacidade para reduzir o tempo de transporte entre a América do Sul e a Ásia e pode transformar o país em um importante centro logístico do comércio transpacífico.
- Washington tenta oferecer uma alternativa à presença chinesa e, ao mesmo tempo, convencer governos latino-americanos a adotar critérios mais rígidos para investimentos de Pequim em setores considerados estratégicos.



