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Oficina de Parentalidade ajuda pais a preservar vínculos com os filhos após separação

A relação conjugal pode chegar ao fim, mas os vínculos entre pais e filhos permanecem. Com essa compreensão, o Núcleo de Mediação, Conciliação e Práticas Restaurativas (NMCPR) do Ministério Público do Amapá (MP-AP), em parceria com o Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), realizou a 3ª Oficina de Parentalidade de 2026, que marcou a 43ª edição da iniciativa em Santana.

A Oficina tem como objetivo auxiliar as famílias a compreenderem os impactos da separação na vida dos filhos e a construírem formas mais saudáveis de comunicação, cuidado e convivência. A proposta é contribuir para que crianças e adolescentes sejam preservados dos conflitos entre os adultos e possam continuar mantendo vínculos afetivos seguros com ambos os pais. Durante a atividade, pais e mães, adolescentes e crianças participaram de momentos específicos, em salas separadas e preparadas de acordo com as necessidades de cada faixa etária.

Para a coordenadora do NMCPR, promotora de Justiça Silvia Canela, participar da Oficina representa uma escolha consciente dos pais de cuidar da relação com os filhos, mesmo diante das dores e dificuldades que podem acompanhar o fim de uma relação conjugal: “Cada pai e cada mãe que chega à Oficina está fazendo um investimento na relação com seus filhos. A separação exige da família uma reorganização, e esse processo pode ser difícil, mas os filhos precisam saber que continuam pertencendo àquela família e que podem amar livremente o pai e a mãe, sem medo, culpa ou necessidade de escolher um lado”, destacou.

Espaço de educação e reflexão

Os conflitos familiares estão entre as demandas que frequentemente chegam ao sistema de Justiça. Nesse contexto, a Oficina de Parentalidade atua de forma educativa e preventiva, criando um espaço de reflexão sobre os efeitos dos conflitos parentais na vida dos filhos e sobre as responsabilidades que permanecem após a separação.

Mais do que transmitir informações sobre guarda, convivência ou pensão alimentícia, a Oficina convida pais e mães a perceberem a separação também a partir do olhar dos filhos e a refletirem sobre a maneira como suas atitudes podem contribuir para uma infância e uma adolescência mais seguras e emocionalmente saudáveis.

Além das famílias encaminhadas pelo Poder Judiciário, o NMCPR também recebe pessoas que procuram diretamente o Ministério Público em busca de auxílio para reorganizar as relações familiares.

Após a participação na Oficina, conforme a necessidade de cada família, os envolvidos podem seguir para procedimentos de mediação ou para círculos de construção de diálogo. Um dos objetivos é possibilitar a elaboração de um plano de parentalidade, no qual pai e mãe podem construir conjuntamente acordos sobre guarda, convivência, rotina, educação, saúde e outros aspectos importantes da vida dos filhos.

Mudança de cultura

Segundo Silvia Canela, a trajetória das Oficinas demonstra uma mudança gradual na forma como as famílias e o próprio sistema de Justiça compreendem esse trabalho. Nas primeiras edições, havia maior resistência à participação. Atualmente, a procura aumentou e os encaminhamentos feitos pelo Judiciário também refletem o reconhecimento dos resultados alcançados pelo projeto.

Para a promotora, essa mudança representa um avanço na construção de uma cultura em que crianças e adolescentes sejam efetivamente protegidos dos conflitos conjugais.

“Quando os filhos se sentem amados pelo pai e pela mãe e sabem que têm liberdade para amar os dois, sem precisar tomar partido, eles encontram um lugar de maior segurança emocional. O conflito pertence aos adultos. A criança não pode ser colocada na posição de escolher, julgar ou carregar dores que não são dela”, afirmou.

A Oficina parte de uma compreensão essencial: a conjugalidade pode terminar, mas a parentalidade permanece. A família passa por uma transformação e precisa encontrar uma nova maneira de existir, na qual as diferenças entre os adultos não impeçam o exercício responsável e afetivo da maternidade e da paternidade.

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