Economia

Café tenta estabilizar após forte queda da semana, mas oferta brasileira mantém pressão sobre NY

Mercado fechou 6ª feira de lado em NY e também no mercado brasileiro

O mercado futuro do café encerrou a sexta-feira (4) buscando estabilização após uma semana de forte pressão sobre os preços. Em Nova York, o contrato dezembro do arábica voltou a operar acima das mínimas da sessão anterior e fechou com 295,60 centavos de dólar por libra-peso com uma leve alta de 25 pontos, enquanto o março já subiu 235 pontos e terminou o dia com 287,40 cents/lb.

O movimento entretanto, não foi suficiente para alterar de forma significativa o cenário baixista que vem predominando no mercado. A perspectiva de maior disponibilidade de café brasileiro continua pesando sobre as cotações, enquanto o mercado passa a incorporar de maneira mais efetiva os volumes da safra 2026/27.

A leitura está alinhada à análise feita por Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria. Para o especialista, a pressão que aparece agora nos preços veio com certo atraso, justamente porque a safra brasileira, apesar de apresentar sinais de grande volume, demorou a chegar aos portos e aos embarques.

Segundo Bonfá, com a colheita praticamente encerrada – restando apenas uma parcela pequena do arábica – os armazéns brasileiros começam a sentir os efeitos da concentração da oferta. Há unidades que já estão limitando ou interrompendo o recebimento de novas cargas diante da falta de espaço. Na avaliação do consultor, esse movimento é um indicativo importante de que, em volume, a safra brasileira foi boa ou muito boa.

O ponto central para Bonfá é que o mercado agora precisa absorver esse café. Produtores precisam comercializar parte da produção, enquanto indústria, exportadores e importadores precisam cumprir contratos e manter o fluxo de abastecimento.

Esse processo tende a manter os preços pressionados, principalmente porque a curva futura já vinha sinalizando valores inferiores aos praticados no mercado físico. Para o consultor, o movimento atual representa justamente a materialização de uma expectativa que já estava embutida nos preços há algum tempo: uma safra brasileira maior significaria mais oferta e, consequentemente, maior necessidade de escoamento.

Ao mesmo tempo, Bonfá pondera que volume não significa necessariamente perda generalizada de valor. A qualidade continua sendo um diferencial importante. Cafés com bebidas melhores, grãos diferenciados, fermentados e certificados seguem encontrando remuneração superior e, segundo o especialista, apresentam uma queda proporcionalmente menor de preços.

Apesar da pressão provocada pela oferta brasileira, o mercado internacional ainda encontra suporte em estoques certificados bastante baixos. O portal internacional Barchart destaca que os estoques de arábica monitorados pela ICE chegaram a níveis historicamente apertados, funcionando como um fator de sustentação para as cotações.

Esse é um dos elementos que ajudam a explicar por que o mercado não simplesmente aprofundou as perdas nesta sexta-feira. Depois da forte correção dos últimos dias, os preços encontraram algum suporte e passaram a consolidar as perdas.

Ainda assim, a combinação entre a entrada da safra brasileira e uma perspectiva de oferta global mais confortável continua sendo o principal contraponto aos estoques reduzidos. O USDA projeta produção mundial de café em 189,7 milhões de sacas em 2026/27, alta de 6% em relação à temporada anterior, enquanto a produção brasileira é estimada em níveis recordes.

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