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“Divas Tucuju” fortalece o debate sobre violência, gênero e transfobia nas escolas

O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid/TJAP), realizou o 3º Encontro do Projeto Divas Tucuju, na Escola Estadual Esther Virgolino, em Macapá. A atividade reuniu estudantes para um diálogo sobre violência no ambiente escolar, gênero, transfobia, preconceito e discriminação.

A programação contou com a participação do psicólogo da Cevid/TJAP, Washington Brandão, e da pedagoga da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Simone Freitas. O encontro criou um espaço de escuta e reflexão sobre situações de violência e preconceito presentes no cotidiano escolar.

Para o psicólogo Washington Brandão, o projeto também busca fortalecer o protagonismo das estudantes na prevenção e no enfrentamento das violências.

“A iniciativa busca transformar essas estudantes em embaixadoras, capacitá-las para acolher, escutar e orientar outras jovens na denúncia, mas também no enfrentamento de violências, em sintonia com as ações de conscientização do Agosto Lilás”, explicou o psicólogo.

O encontro integrou a 33ª Semana da Justiça pela Paz em Casa e a programação do Agosto Lilás, campanha de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

Educação e prevenção

O Projeto Divas Tucuju utiliza a educação como ferramenta para promover direitos, cidadania e respeito. A iniciativa também orienta as estudantes sobre como identificar situações de violência e discriminação e onde buscar apoio.

A pedagoga Simone Freitas destacou que o debate sobre violência, gênero e transfobia precisa alcançar todas as etapas de ensino, da educação infantil ao ensino superior, com respaldo na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

“É importante que esse tema faça parte do dia a dia da escola. A prevenção ajuda a mudar ideias e comportamentos que foram construídos ao longo do tempo e contribui para interromper o ciclo de violência que ainda existe na sociedade”, ressaltou a educadora.

Para o diretor-adjunto da Escola Estadual Esther Virgolino, Valdecy Reis, a presença do projeto reforça as ações da instituição contra a violência e o preconceito.

“Evento Divas Tucuju atua como um reforço fundamental às nossas práticas pedagógicas contínuas. A iniciativa é de suma importância por ser direcionada ao público feminino, visto que as mulheres são as principais vítimas tanto de atos violentos quanto de práticas discriminatórias”, destacou o diretor-adjunto.

Estudantes participaram do debate

As estudantes também compartilharam percepções sobre situações de preconceito no ambiente escolar e defenderam ações permanentes de conscientização.

A estudante do 3º ano do ensino médio, Wanessa Letícia, afirmou que o preconceito ainda faz parte da realidade escolar e chamou atenção para o uso de termos relacionados ao autismo como forma de ofensa.

“Na escola, por exemplo, observo ataques recorrentes direcionados a estudantes autistas. É comum que, ao notar qualquer comportamento distinto em alguém, utilizem o termo ‘autista’ de forma pejorativa, como uma ofensa. Essa prática é uma forma de discriminação que exige combate urgente”, enfatizou.

Para a aluna do 2º ano do ensino médio, Rita de Cássia Mendes, o enfrentamento ao preconceito também passa pela atenção à linguagem utilizada pelos estudantes.

“É urgente conscientizar os estudantes de que comentários e brincadeiras sobre deficiências, cor ou gênero são formas graves de discriminação que ferem profundamente os colegas e podem ter consequências psicológicas devastadoras”, afirmou.

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