Margem Equatorial: o que esperar das novas descobertas da Petrobras na área de petróleo no Amapá
Petrobras anunciou a 3ª descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, impulsionando projeções de arrecadação de royalties e geração de empregos para o estado do Amapá

Petrobras confirmou, em 29 de outubro, a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, localizado em águas ultraprofundas na costa do Amapá, dentro da Bacia da Foz do Amazonas. A estatal concluiu a perfuração e a aquisição de dados geológicos no local, onde análises laboratoriais identificaram a presença de óleo leve, tipo de alto valor comercial.
O achado reforça a aposta da companhia na Margem Equatorial como principal fronteira para recomposição de suas reservas nacionais e acende expectativas de transformação econômica para um dos estados mais pobres do país.

Petrobras confirma nova descoberta na Margem Equatorial
O poço Morpho está situado a 2.886 metros de profundidade de lâmina d’água, a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense, em uma das regiões geologicamente mais promissoras do país. É a terceira vez que a Petrobras confirma a presença de petróleo no mesmo poço, dentro do bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
As análises laboratoriais das amostras coletadas durante a perfuração confirmaram a presença de óleo leve, tipo de petróleo com maior grau API, que facilita tanto a extração quanto o refino em derivados nobres e alcança preços mais elevados no mercado internacional.
Com a conclusão das operações no Morpho, a sonda seguirá para a Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, onde iniciará a perfuração na locação Mãe de Ouro. A Bacia da Foz do Amazonas é considerada a mais promissora entre as cinco bacias sedimentares que compõem a Margem Equatorial, em parte pela analogia geológica com Guiana e Suriname, onde foram descobertas reservas estimadas em mais de 11 bilhões de barris desde 2015.

Potencial econômico para o Amapá
Com PIB de R$ 28 bilhões registrado em 2023, o Amapá figura entre as menores economias do país. As novas descobertas, porém, abrem uma perspectiva de salto expressivo. Segundo simulações da Agência Amapá, em um cenário hipotético de produção de 500 mil barris por dia, o estado poderia arrecadar até R$ 6,6 bilhões anuais em royalties e gerar entre 3 mil e 30 mil postos de trabalho.
Diante dessas projeções, o Governo do Estado já avalia a criação de um fundo soberano para transformar a receita finita do petróleo em patrimônio duradouro para a população. Em paralelo, o Sebrae Amapá iniciou ações de capacitação para preparar empresas e fornecedores locais para ingressar na cadeia produtiva do setor de petróleo e gás.
As iniciativas indicam que o poder público estadual trata o cenário não como hipótese distante, mas como horizonte a ser preparado desde já.

Estratégia da Petrobras e o futuro da Margem Equatorial
Para a Petrobras, a Margem Equatorial é a principal aposta para repor reservas a partir de 2030, quando os campos do Pré-sal devem entrar em declínio natural de produção. No Plano Estratégico da estatal, a região recebeu prioridade de investimentos: estão previstos US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões e a perfuração de 15 poços até 2030, com a ressalva de que novas descobertas comerciais não estão garantidas.
Apesar do otimismo com as três descobertas no Morpho, a viabilidade comercial da produção ainda não está confirmada. Caso os testes técnicos e econômicos sejam favoráveis, o início efetivo da extração pode levar de seis a sete anos. O caminho entre a descoberta e a produção em escala é longo e envolve etapas de avaliação, licenciamento e desenvolvimento de infraestrutura.
Por ora, o que a terceira descoberta no Amapá consolida é a relevância estratégica da região, tanto para a segurança energética do país quanto para o debate sobre quem se beneficiará, e em que condições, dessa nova fronteira petrolífera brasileira.



