Netflix abocanha quase metade da receita de streaming na América Latina
Plataforma concentra cerca de um terço das assinaturas, mas fica com fatia bem maior do dinheiro movimentado pelo setor na região

A Netflix conseguiu transformar sua liderança no streaming latino-americano em uma vantagem ainda maior quando o assunto é faturamento. A plataforma deve terminar 2026 com quase metade de toda a receita proveniente de assinaturas de vídeo online na América Latina, embora concentre cerca de um terço das assinaturas da região.
Os números foram apresentados pela Omdia nesta segunda-feira (12), durante a Mipcom, em Cannes, na França.
Segundo a consultoria, a América Latina deve chegar ao fim deste ano com 190,7 milhões de assinaturas de serviços de vídeo online. Desse total, 63,8 milhões estarão na Netflix, equivalente a aproximadamente 33% do mercado. Apesar disso, a empresa ficará com quase 50% da receita obtida pelas plataformas com assinaturas.
A diferença mostra a capacidade da Netflix de monetizar sua base de usuários em um nível superior ao das concorrentes. A Omdia também atribui parte da expansão ao plano com publicidade, que permite à companhia atingir consumidores mais sensíveis a preço e, ao mesmo tempo, abrir uma segunda frente de faturamento com anunciantes.
Streaming avança, mas TV ainda domina os lares
O estudo projeta que o mercado latino-americano de mídia e entretenimento movimentará US$ 62 bilhões em 2026, crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior. Somente o segmento de vídeo online deverá responder por US$ 35 bilhões, mais do que o dobro dos US$ 16 bilhões previstos para a televisão tradicional.
A quantidade de assinaturas também seguirá aumentando. A Omdia estima 208,7 milhões em 2027 e 243,5 milhões em 2031. A Netflix, por sua vez, deve passar dos atuais 63,8 milhões para 73,7 milhões de assinaturas na América Latina ao longo do mesmo período.
Apesar do crescimento acelerado das plataformas digitais, a televisão convencional ainda possui alcance muito maior na região. Em 2025, estava presente em 91% dos lares latino-americanos, enquanto os serviços de vídeo sob demanda por assinatura atingiam 35%. A penetração da banda larga era de 53%, fator apontado pela Omdia como uma das principais barreiras para uma expansão ainda maior do streaming.
A América Latina também cresce em ritmo superior ao mercado dos Estados Unidos. Enquanto a receita regional de mídia e entretenimento deverá avançar 15,4% neste ano, a projeção para os Estados Unidos é de alta de 10,2%, embora o país continue muito maior em valores absolutos, com faturamento estimado em US$ 476 bilhões.



