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Novos governadores assumirão os estados com as contas de volta ao vermelho depois de uma década

Com as despesas crescendo mais que as receitas, o conjunto dos estados brasileiros voltou em 2026 a registrar déficit primário pela primeira vez desde 2015

Os novos governadores que serão eleitos, tanto quanto aqueles que serão reconduzidos ao cargo a partir deste domingo, 4, quando acontece o primeiro turno das eleições gerais brasileiras, devem no geral conviver, nos próximos quatro anos, com uma situação financeira bem mais delicada nas contas públicas de seus respectivos redutos do que aquela com que as gestões atuais conviveram nos quatro anos anteriores.

É o que apontam especialistas em contas públicas e também os grandes números relativos às finanças gerais dos estados. Elas mostram que o balanço entre as receitas e as despesas no conjunto dos estados está atualmente em sua pior forma em mais de dez anos.

“O primeiro ano daqueles que entrarem agora terá que ser de colocar a casa em ordem, porque os estados não podem emitir dívida, como faz a União, e por conta disso não conseguem ficar muito tempo com déficit primário, eles vão deixando de conseguir pagar seus fornecedores”, explica o economista Murilo Viana, analista de contas públicas da consultoria GO Associados.

Estados no vermelho

Resultado primário conjunto dos estados (diferença entre receitas e despesas) acumulado em 12 meses, em proporção ao PIB (em %)
Os dados das finanças públicas do país, que são acompanhados mensalmente pelo Banco Central, mostram que, desde março deste ano, o conjunto dos 26 estados brasileiros vem registrando déficit primário primário, quer dizer, estão gastando mais do que arrecada. É algo que não acontecia desde 2015 – em todos os dez anos subsequentes a partir dali essas contas tinham ficado no azul.

Em agosto de 2026, dado mais recente, os estados somavam um rombo total de 13,4 bilhões de reais nas contas, o que representa 0,10% do produto interno bruto (PIB) nacional. Os números consideram a soma de todas os estados e levam em consideração os acumulados em 12 meses.

A entrada no terreno negativo coloca fim a uma espécie de bonança extraordinária por que os governos regionais passaram a partir da pandemia, em 2020, quando as políticas de socorro reforçaram as transferências de recursos feitas pela União para os estados e ajudaram a manter os seus caixas cheios por algum tempo.

Passado este efeito – e também consumido o dinheiro que entrou – os governos estaduais começam agora a sentir o peso das despesas.

Elas continuaram crescendo rapidamente, sejam as ligadas a investimentos, que foram turbinados quando o caixa estava recheado, sejam aquelas ligadas a pessoal, em que entram os salários dos servidores ativos e as aposentadorias dos inativos, um grupo que também não para de aumentar.

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