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Amostras do poço Morpho indicam petróleo leve de altíssima qualidade na Margem Equatorial

Análises preliminares apontam grau API entre 35 e 40 no Amapá, superando o pré-sal e rivalizando com a Guiana

As primeiras análises das amostras colhidas pela Petrobras no poço Morpho, localizado na Margem Equatorial, no litoral do Amapá, indicam a descoberta de um petróleo de altíssima qualidade e densidade leve. Segundo informações, o óleo encontrado apresenta um grau API estimado entre 35 e 40.

  • O grau API é a escala internacional utilizada para medir a densidade relativa do petróleo bruto. Diferentemente de outras medições, a relação é inversa: quanto maior o número, mais leve e valorizado é o combustível. Óleos mais leves exigem menor processamento técnico nas refinarias e garantem maior rendimento na produção de derivados de alto valor agregado, como gasolina, diesel e querosene de aviação.

As avaliações do material estão em fase final de conclusão no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), localizado no Rio de Janeiro. Para viabilizar a análise técnica sem comprometer a integridade e as propriedades originais do combustível, as amostras percorreram uma rota marítima controlada de mais de 2 mil quilômetros desde a costa amapaense até a capital fluminense, uma vez que a legislação e os protocolos de segurança do setor impedem o transporte aéreo desse tipo de material.

A confirmação do patamar entre 35 e 40 API posicionará o poço Morpho com um dos petróleos mais leves já descobertos em território brasileiro, rivalizando diretamente com a qualidade do óleo extraído pela ExxonMobil na Guiana — onde poços como Liza e Unity Gold operam com variação entre 31,9° e 34° API.

Para efeito de comparação com a produção nacional, o campo de Tupi, principal ativo do pré-sal brasileiro e responsável por cerca de 20% de toda a produção do país, registra API médio de 28 a 30. Outros reservatórios expressivos do pré-sal, como Búzios e Mero, registram 28,5° e 30° API, respectivamente. Em áreas de pós-sal, como Marlim e Jubarte (Bacia de Campos), os índices caem para 20° e 17° API, configurando um petróleo considerado pesado e de refinamento mais complexo.

O potencial do material chamou a atenção das autoridades federais. Durante visita oficial às instalações de teste da Petrobras no Amapá no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou publicamente o aspecto visual do combustível coletado. “Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique”, destacou o presidente durante entrevista coletiva.

Apesar da importância do grau API para a valoração do barril, geólogos e especialistas destacam que o valor comercial do produto também é determinado por fatores como menor acidez e baixos teores de enxofre (característica conhecida no mercado como “petróleo doce”).

Historicamente, o parque de refino brasileiro foi projetado para processar o óleo pesado da Bacia de Campos, passando por adaptações posteriores para absorver as características do pré-sal e recorrendo a importações para equilibrar misturas.

A confirmação das características do poço Morpho consolida a Margem Equatorial brasileira como uma nova fronteira estratégica para a Petrobras. A estatal obteve autorização recente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar outros três poços no bloco FZA-M-59.

Paralelamente, avançam os processos de licenciamento ambiental para os blocos 57, 86, 88, 125 e 127 — todos arrematados na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013. A Petrobras também adquiriu novos ativos na região durante o 5º Ciclo de Oferta Permanente, firmando parcerias estratégicas para expansão das explorações no norte do país.

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