Fronteira da Margem Equatorial já está aberta, desafio agora é a logística, diz Sylvia dos Anjos
Diretora da Petrobras disse que descoberta foi bem recebida por outras petroleiras em evento internacional

A nova fronteira em águas profundas na Margem Equatorial já está aberta após a descoberta de indícios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e o próximo desafio será lidar com a baixa infraestrutura na região, disse a diretora executiva de Exploração de Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos.
Em entrevista durante a Offshore Northern Seas (ONS) 2026 na segunda-feira (24) em Stavanger, na Noruega, a diretora afirmou que outras petroleiras parabenizaram a estatal pela descoberta.
“Quando a gente destrava uma área, a gente abre oportunidade. Grande parte dos nossos parceiros têm blocos na Margem Equatorial, então abre um cenário positivo. Praticamente todas as majors têm blocos na região”, disse.
A Petrobras anunciou no dia 14 de agosto a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.
Próximos passos
A companhia aguarda a análise do centro de pesquisa, o Cenpes, para ter informações mais detalhadas sobre a descoberta.
No momento, a amostra de óleo está sendo transportada para o Rio de Janeiro para esses estudos. O processo de transporte deve levar quase três semanas, já que a movimentação não pode ocorrer por avião.
Sylvia lembrou que parte da demora se deve à baixa infraestrutura na região, o que vai demandar soluções diferentes das que existem hoje para as descobertas nas Bacias de Campos e Santos.
“Eu já tenho toda a equipe montada pensando em alternativas. O negócio vai ser rápido”, disse
Em paralelo, a estatal se prepara para perfurar três poços adicionais na Bacia da Foz do Amazonas para delimitar o tamanho da descoberta. A companhia já solicitou a liberação ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para seguir com a campanha e aguarda uma resposta.
“Eu acredito que agora a licença é uma questão de tempo, pela importância da área para o estado do Amapá e para toda a região. Não pode ser diferente, porque a gente já cumpriu todos os requisitos. Eu acho que não vai demorar muito, estou muito otimista”, afirmou.

Troca da sonda
A sonda usada para as próximas três perfurações precisará ser substituída, devido à necessidade de manutenção na unidade ODN-II (NS-42), da Foresea, que conduziu essa primeira campanha.
O próximo navio-sonda a perfurar na Bacia da Foz do Amazonas será a unidade Amaralina Star (NS-43), da Constellation. A sonda ainda vai passar por um processo de limpeza antes de ser deslocada para o norte do país.
A diretora ressaltou que a troca na unidade não tem relação com o incidente que resultou no vazamento de um fluido de perfuração biodegradável e hidrossolúvel durante a perfuração em janeiro. O caso levou a um atraso de mais de um mês na perfuração e gerou uma multa para a estatal.
“Não deveria ter acontecido aquilo, mas não teve nada a ver com a perfuração. Foi um incidente. A gente vai seguir fazendo o que sempre fez: tomar cuidado para que não aconteça”, disse.
Ao todo, a Petrobras prevê perfurar oito poços nos sete blocos que opera na Bacia da Foz do Amazonas.
Outras campanhas
Após a manutenção, a sonda NS-42 será deslocada para uma outra campanha na Margem Equatorial, a perfuração do poço batizado como Mãe De Ouro, na Bacia Potiguar.
Segundo Sylvia, uma eventual descoberta durante essa perfuração pode ajudar a viabilizar outras descobertas na mesma bacia que não se provaram viáveis economicamente para a instalação de uma plataforma.
A companhia também seguirá com novos investimentos para aumentar o fator de recuperação das Bacias de Campos e Santos, com projetos para conectar descobertas menores nessas regiões a plataformas existentes por meio de tiebacks, por exemplo.
“Principalmente na Bacia de Campos, com aqueles campos maduros e ampla infraestrutura, tirar o máximo novamente desses campos”, disse.
No momento, um dos projetos em andamento é a conexão de uma descoberta menor que vai permitir um aumento de produção de 12 mil barris/dia no FPSO do campo de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos.
A diretora ressaltou que, apesar dos esforços em Campos e Santos, as novas descobertas são importantes para garantir a continuidade da autossuficiência brasileira em petróleo.
“Só com o aumento do fator de recuperação não dá para que a gente continue com o aumento do consumo, a autossuficiência e ainda por cima a exportação”, disse.
Na visão da executiva, a baixa dependência brasileira de importações de petróleo foi um dos fatores que ajudou o país a navegar a crise gerada no mercado global pela guerra no Irã.
“Nós aumentamos a produção, aumentamos o refino, isso deu tranquilidade ao país. Outras companhias que dependiam de produção em países afetados pela guerra tiveram redução de produção, tiveram mais instabilidade”, disse.



