“Operação Senhor das Armas” desarticula esquema milionário de desvio e comércio ilegal de armamentos

A Polícia Civil do Estado do Amapá deflagrou, na manhã de hoje, a Operação Senhor das Armas, com o objetivo de desmantelar uma complexa organização criminosa voltada ao desvio, adulteração, comercialização e distribuição de armas de fogo e munições, além de lavagem de capitais.

Dinâmica e o Detalhamento do Esquema
As investigações revelaram que o esquema funcionava como uma engrenagem altamente estruturada e dividida em núcleos. A origem dos desvios contava com a participação direta de três servidores públicos, sendo dois policiais militares e um agente de segurança.
À época dos crimes, os três atuavam cedidos ao Tribunal de Justiça do Amapá, mas atualmente já não possuem mais qualquer vínculo com o órgão.

O esquema operava detalhadamente da seguinte forma:
- Núcleo de Desvio (A Fonte): O esquema era liderado por um Tenente da Polícia Militar. Aproveitando-se de sua função como encarregado da Sala do Armário Forte do Fórum de Macapá, ele desviava armas, munições e acessórios que estavam sob custódia judicial.
- Logística e Transporte: A função logística cabia ao agente de segurança. Ele era o responsável por dar baixa nos sistemas, retirar fisicamente as armas desviadas e transportá-las até as mãos do armeiro da quadrilha. Para dificultar o rastreamento, o agente exigia receber os pagamentos de sua parte estritamente em dinheiro vivo.
- Oficina e Adulteração: O principal braço comercial era comandado por um armeiro, que mantinha uma oficina clandestina. Ele recebia o material, consertava, adulterava as armas (através da raspagem de numerações) e negociava o arsenal utilizando catálogos fotográficos em aplicativos de mensagens.
- Compradores e Facções: O destino principal das armas eram integrantes e lideranças de uma violenta facção criminosa. As compras eram feitas em massa — inclusive com ordens partindo de dentro do sistema penitenciário — para armar membros da facção e promover a retomada de territórios e conflitos urbanos. Intermediários autônomos também compravam as armas para revendê-las com alto lucro nas ruas.
- Lavagem de Capitais (Blindagem financeira): O braço financeiro movimentou valores na casa dos milhões. Uma Policial Militar (esposa do tenente apontado como líder) atuava como a principal operadora financeira do núcleo familiar, realizando depósitos fracionados para burlar a fiscalização e lavar o dinheiro do crime.
O grupo utilizava contas de laranjas, empresas de fachada e uma intensa conversão de valores digitais (PIX) em dinheiro em espécie para pagar os servidores públicos envolvidos.

Balanço da Operação
Durante o cumprimento dos mandados, a operação policial alcançou os seguintes resultados práticos visando a descapitalização e a coleta probatória contra o grupo:
- Apreensões Diversas: Foram apreendidos veículos pertencentes aos suspeitos e diversas fontes de provas materiais.
- Armamento: Durante as diligências, a equipe policial apreendeu 2 espingardas que estavam em posse do suspeito apontado como o armeiro do grupo criminoso, além de identificar a oficina usada para aduteração dos armamentos (o local está sendo periciado).
- Asfixia Financeira: A Justiça determinou o sequestro de bens imóveis, veículos e o bloqueio de valores em contas bancárias dos investigados, em um montante que pode chegar a mais de R$ 26 milhões.
A Polícia Civil segue analisando os materiais e dados apreendidos para aprofundar as investigações.




