Propostas de Lula sobre crime organizado seguem emperradas nos EUA
Propostas do governo brasileiro foram apresentadas a Trump em maio, mas Washington ainda não deu resposta concreta sobre a cooperação

Em meio à escalada de declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre o combate ao crime organizado e às ameaças de adoção de medidas contra o Brasil, o governo brasileiro afirma que Washington ainda não apresentou uma resposta concreta a propostas de cooperação feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As iniciativas foram colocadas na mesa durante o encontro dos dois presidentes na Casa Branca, no início de maio. Desde então, de acordo com a fonte, o governo brasileiro aguarda uma reação oficial dos Estados Unidos.
Na ligação, o presidente brasileiro defendeu novamente a cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado, mas afirmou que o Brasil tem instrumentos próprios para combater as facções.
Apesar disso, não houve, até agora, uma manifestação concreta do governo norte-americano sobre as duas propostas apresentadas por Lula em maio.
Propostas estão na mesa desde maio
- O petista e o republicano se reuniram por cerca de três horas na Casa Branca em 7 de maio.
- O combate ao crime organizado foi um dos principais temas da agenda, ao lado de questões comerciais e minerais críticos.
- Na ocasião, Lula convidou os Estados Unidos a participar de iniciativas brasileiras voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas e do narcotráfico transnacional.
- Entre as estruturas apresentadas estavam mecanismos de cooperação policial na Amazônia e iniciativas de articulação regional em segurança.
- Lula citou, naquele momento, a estrutura de cooperação policial criada em Manaus, que reúne representantes de países amazônicos e atua no compartilhamento de informações para combater crimes transnacionais.
- O governo também buscava ampliar a cooperação regional no âmbito do chamado Consenso de Brasília e de outras iniciativas brasileiras de enfrentamento ao crime organizado.
- Apesar da abertura demonstrada durante a reunião presencial, o governo brasileiro afirma que as propostas concretas apresentadas por Lula continuam sem resposta oficial de Washington.
PCC e CV como terroristas
A falta de uma resposta às propostas brasileiras ocorre em um momento de forte tensão entre os dois governos em torno da política norte-americana de combate ao crime organizado.
Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O anúncio ocorreu apenas dois dias após uma reunião entre Donald Trump e o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
À época, o pedido feito pelo senador pela classificação das facções como organizações terroristas foi um dos movimentos que antecederam a decisão de Washington.
A classificação passou a produzir efeitos no sistema jurídico e financeiro norte-americano, incluindo sanções e restrições a pessoas e empresas que ofereçam apoio material aos grupos.
A designação também alimentou uma discussão sobre os limites da atuação dos Estados Unidos em território brasileiro.




