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Apex prepara ofensiva de R$ 30 milhões para driblar tarifaço e manter mercado nos EUA

Agência aposta na pressão de compradores americanos, que também sofrem com aumento dos custos provocado pelas tarifas

A estratégia da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para lidar com o tarifaço americano será manter os Estados Unidos no radar enquanto amplia a busca por outros mercados.

O presidente da agência, Laudemir Müller, afirmou que serão destinados R$ 30 milhões nos próximos 12 meses para ações diretamente no mercado americano, mesmo diante das tarifas impostas sobre produtos brasileiros.

O investimento terá duas frentes: a promoção comercial de produtos que continuam isentos das tarifas e o trabalho de articulação para tentar ampliar a lista de isenções.

“Nós vamos continuar trabalhando com o nosso escritório em Washington, junto com o setor privado brasileiro e o setor privado americano, para aumentar as isenções, para que mais produtos não tenham essa tarifa. E os produtos que estão isentos, nós vamos trabalhar para promover no mercado americano. O mercado americano é muito importante para o Brasil, é muito importante para as empresas brasileiras”, disse Müller.

Em julho, os EUA decidiram aplicar duas taxas contra produtos do Brasil que, somadas, podem chegar a 37,5%. Uma das tarifas é de 25% e foi instituída sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais do Brasil contra os EUA. A outra, de 12,5%, foi criada pela suposta falha do Brasil em combater o trabalho forçado.

Parte dos recursos também será usada para dar suporte às empresas brasileiras que já possuem operações ou exportações consolidadas no país. A intenção é ajudar essas companhias a preservar seus negócios em um momento de aumento dos custos e perda de competitividade provocados pelas tarifas.

“As empresas americanas também não querem essa tarifa, porque são elas que pagam. O comprador americano não quer pagar 40% a mais de um dia para o outro na mesma fruta, na mesma rocha, na mesma madeira. Não interessa para ninguém do mundo empresarial, é ruim para todo mundo”, pontuou.

R$ 210 milhões para buscar outros mercados

O investimento nos Estados Unidos ocorre ao mesmo tempo em que a Apex conduz um plano emergencial de R$ 210 milhões para diversificar os destinos das exportações brasileiras.

A estratégia busca reduzir a dependência de mercados afetados pelas novas tarifas e abrir espaço para produtos nacionais em outros países. Para Müller, entretanto, diversificar não significa abandonar os Estados Unidos.

Para diversificar o mercado, a Apex deve usar uma carteira com ao menos 2.000 compradores internacionais para realizar uma busca ativa e identificar compradores no exterior que precisam exatamente do que o vendedor brasileiro tem a oferecer, promovendo reuniões diretas entre eles.

Além disso, a agência deve aproveitar feiras internacionais para apresentar produtos do Brasil diretamente a potenciais compradores.

De acordo com Müller, a Apex deve concentrar os esforços em 36 mercados. Entre os países listados por ele, estão Índia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia, Vietnã, Turquia, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Canadá e México.

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