Custo mensal por preso em 2025 foi 73,7% maior que o salário mínimo
Em média um preso custou cerca de R$ 2,6 mil mensal por estado. Em 2025 o salário mínimo do trabalhador brasileiro custava R$ 1,5 mil

Em 2025, o custo médio de cada detento nos presídios brasileiros foi de R$ 2.637,75 mensal por estado. Esse valor foi 73,7% superior ao salário mínimo da época, que era de R$ 1.518,00.


Despesa total
Em 2025, o Brasil também atingiu o maior custo total com presídios dos últimos seis anos. As despesas somaram R$ 26,7 bilhões, com dezembro registrando o pico de gastos, de R$ 3,1 bilhões.

O estado de São Paulo concentra o maior volume do orçamento prisional com R$ 5,9 bilhões, seguido por Minas Gerais, R$ 3,6 bilhões; e Paraná, R$ 1,7 bilhão. Roraima registrou o menor orçamento com R$ 143,1 milhões.
O que dizem os especialistas
Leonardo Sant’Anna, especialista internacional em segurança, explica que a insustentabilidade do sistema prisional brasileiro exige superar a lógica do encarceramento em massa e adotar uma gestão mais estratégica do orçamento público.
Ele destaca que cada preso não exige apenas uma cela, com o encarceiramento é necessário garantir alimentação, vigilância, quantidade suficiente de profissionais, transporte, tecnologia, acesso a saúde e manutenção do local.
“Existem presídios que realmente carecem de recursos básicos, mas o problema nacional não se aplica apenas na falta de dinheiro. O Estado, ele ainda tá investindo muito mais em prender e manter as pessoas sob custódia do que em impedir que elas retornem ao sistema depois que elas são soltas”, explica.
Para o especialista, a manutenção de uma política baseada no aprisionamento em massa sem estratégia se mostra financeiramente e operacionalmente inviável, uma vez que “se esse rumo de encarceramento, de aprisionamento, for mantido, a pressão fiscal vai ficar insustentável”. Ele reforça que o investimento ainda é reativo e que a desorganização interna das unidades agrava o problema e “entrega para as próprias facções o poder de organizar a vida cotidiana do preso”.



