Governo vê desgaste de líderes após derrota de Messias, mas não encontra substitutos
Avaliação é de que Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner perderam força política, mas governo não encontra nomes para substituição

A derrota de Jorge Messias aprofundou, dentro do governo e do PT, a avaliação de que os principais líderes políticos do Palácio do Planalto estão desgastados. Tanto o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), quanto o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), passaram a ser alvo de críticas mais abertas. Auxiliares de Luiz Inácio Lula da Silva admitem, porém, que um fator tem sido determinante para a manutenção da dupla: a falta de substitutos.
No caso de Randolfe, interlocutores do governo afirmam que o desgaste já vinha se acumulando há meses. A avaliação é de que o senador perdeu capacidade de diálogo com parlamentares e passou a criar dificuldades até em pautas consideradas banais. Integrantes da base governista dizem que, em diversas ocasiões, os próprios presidentes da Câmara e do Senado precisaram assumir a mediação política diretamente com o governo.
Jaques Wagner também enfrenta forte desgaste interno. Aliados de Lula lembram episódios recentes considerados vexatórios para a articulação governista, como a tramitação da PEC das decisões monocráticas do STF, quando o senador baiano foi alvo de críticas pela condução política do tema.
O episódio envolvendo a derrota da indicação de Jorge Messias para o STF agravou ainda mais a situação. Segundo relatos levados ao presidente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria afirmado em voz alta, durante um jantar na noite anterior à votação, que a indicação já estava derrotada. Ainda assim, Wagner não teria alertado Lula sobre o cenário adverso e, no dia seguinte, seguiu transmitindo confiança na vitória.
A percepção entre aliados do presidente é de que tanto Randolfe quanto Wagner passaram a concentrar esforços prioritariamente em seus próprios projetos eleitorais. Uma saída negociada para ambos seria justificada publicamente pela necessidade de se dedicarem às eleições.
Sem substitutos
O problema, porém, é encontrar substitutos dispostos – e com força política – a assumir as funções. A chegada de José Guimarães à Secretaria de Relações Institucionais é vista como um movimento que pode abrir novas possibilidades na articulação política, mas aliados reconhecem que o governo enfrenta escassez de quadros.
Entre aliados de Lula, há o reconhecimento de que nomes de confiança do presidente já estão comprometidos com projetos próprios, especialmente os eleitorais, ou ocupam funções estratégicas.
O senador Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação, por exemplo, voltou ao mandato e está concentrado na disputa política no Ceará, sendo visto como um nome distante de Alcolumbre. Já Omar Aziz (PSD) é pré-candidato ao governo do Amazonas.
Outro nome citado nos bastidores é o de Otto Alencar (PSD-BA), mas aliados avaliam que, como ele já ocupa a presidência da CCJ, não daria para acumular uma função de articulação política no governo.



