PF encontra indícios de esquema de corrupção na saúde com reflexos no Amapá; contratos são do período Waldez Góes
Investigação citada pelo UOL envolve o IBGH, organização social que atuou em unidades públicas de saúde do Amapá. Ex-governador, hoje ministro, é cobrado a explicar como os contratos foram firmados e fiscalizados.
Uma investigação da Polícia Federal encontrou indícios de um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da saúde em Goiás e no Amapá. A informação foi publicada pelo UOL nesta quinta-feira, 7.
No centro da apuração está o Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar, o IBGH, organização social que prestou serviços em unidades públicas de saúde e que também teve atuação no Amapá, durante o período em que Waldez Góes governava o estado.
Segundo a reportagem, investigadores encontraram registros que apontariam uma espécie de contabilidade interna de supostos “retornos” financeiros. As suspeitas envolvem possíveis irregularidades em contratos públicos da área da saúde, incluindo desvio de recursos, superfaturamento, direcionamento de contratações e lavagem de dinheiro.


No Amapá, o IBGH teve relação com serviços ligados à saúde pública estadual, incluindo unidades como o Hospital de Emergência Dr. Oswaldo Cruz e a UPA da Zona Sul. A atuação da organização social no estado já havia sido alvo de questionamentos por problemas administrativos e trabalhistas, incluindo atrasos salariais que posteriormente levaram o Governo do Amapá a anunciar pagamento direto a trabalhadores.
Apesar de a investigação ainda estar em andamento e não haver condenação definitiva, o caso reacende uma cobrança política importante: qual foi o nível de controle e fiscalização exercido pelo governo estadual durante a contratação e execução dos serviços prestados pelo IBGH?

As denúncias se referem ao período da gestão de Waldez Góes. Por isso, o ex-governador, hoje ministro do Desenvolvimento Regional no governo federal, passa a ser cobrado publicamente a prestar esclarecimentos ao povo do Amapá.
A cobrança não se limita ao passado. Waldez deixou o governo estadual, mas continua ocupando cargo público de grande relevância em Brasília e ainda mantém peso político como representante do Amapá no cenário nacional.
Entre as perguntas que precisam ser respondidas estão: quem autorizou a contratação do IBGH? Quem acompanhava a execução dos contratos? Quanto foi pago à organização social? Quais serviços foram efetivamente prestados? E que providências foram tomadas quando os problemas começaram a aparecer?
O caso é especialmente sensível porque envolve recursos da saúde pública, uma área marcada por filas, falta de estrutura, reclamações de pacientes e dificuldades enfrentadas por profissionais da rede estadual.
Até o momento, as informações divulgadas tratam de indícios investigados pela Polícia Federal. Cabe às autoridades aprofundar a apuração, identificar eventuais responsáveis e garantir transparência sobre o uso do dinheiro público.
O espaço segue aberto para manifestação de Waldez Góes, do Governo do Amapá e dos demais citados.



