Com saída de ministros, Lula aposta em “soluções caseiras” para manter ações
Presidente tem buscado nomes dentro dos ministérios para evitar o esvaziamento de ações do governo em ano eleitoral

Com a aproximação da campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve perder mais de 20 ministros, que deverão deixar os cargos para disputar as eleições em outubro. O prazo para a desincompatibilização vai até o fim de março, mas, nos bastidores, o chefe do Planalto já articula nomes que ocuparão as cadeiras vagas.
Segundo auxiliares, o petista tende a priorizar quadros que já compõem os ministérios, com o objetivo de manter o ritmo das entregas neste último ano de governo. Nesse sentido, os secretários-executivos despontam como favoritos à sucessão.
A número dois da Casa Civil, Miriam Belchior, foi escolhida por Lula para assumir o posto hoje ocupado por Rui Costa. Ele deixará o governo para disputar uma vaga ao Senado Federal pela Bahia.
“O presidente já comunicou a sua escolha tanto a mim quanto à Miriam. Ela foi ministra do Planejamento, trabalha muito, é uma técnica competente e assume o ministério no início de abril. A prioridade do presidente é que [as indicações] sejam de quem já está na equipe, para não haver descontinuidade nas ações de governo”, anunciou o ministro.
Secretária-executiva da Casa Civil desde 2023, Miriam Belchior foi ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão entre 2011 e 2014, durante o governo de Dilma Rousseff. Ela ocupou também o cargo de presidente da Caixa Econômica Federal, de 2015 a maio de 2016.
Troca na Fazenda
Outro auxiliar que deve ser alçado ao cargo de ministro é o número dois da Fazenda, Dario Durigan. O titular da equipe econômica, Fernando Haddad (PT), garantiu que sairá do governo em fevereiro. Ele ainda não definiu se entrará na disputa eleitoral ou se atuará nos bastidores, na articulação da campanha de reeleição de Lula.
Haddad saiu em defesa do secretário-executivo, que é alvo de críticas de uma ala do PT pela suposta proximidade com o mercado financeiro.
“É uma pessoa que trabalhou na Casa Civil nos primeiros governos do PT. Trabalhou na Prefeitura de São Paulo, na minha gestão. E trabalhou no Ministério da Fazenda. Ele sempre serviu a governos progressistas. Ele ter passado pelo mercado é um ponto para o Dario. Significa que ele traz para o setor público o conhecimento também de como funcionam setores relevantes da economia mundial. E ele tem um conhecimento abrangente, é uma pessoa de formação muito sólida”, elogiou Haddad.
A tendência é que Dario fique com o comando da Fazenda, enquanto o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, deve assumir a secretaria-executiva. A expectativa é que Durigan dê continuidade ao trabalho desenvolvido por Haddad no ministério, dando um recado ao mercado de que não haverá mudanças bruscas na condução da política fiscal.
Saída de ministros
- Cerca de 20 ministros devem deixar os cargos para disputar as eleições de outubro.
- A legislação eleitoral determina que agentes públicos que pretendem concorrer a cargos diferentes daqueles que ocupam devem deixar o posto seis meses antes do pleito.
- Com isso, os auxiliares do presidente Lula deverão sair do governo até, no máximo, final de março.
- Entre os cargos pretendidos pelos ministros, estão desde assentos em Assembleias Legislativas a governos estaduais.
- Em meio às movimentações, presidente já tem definido substitutos.



