Ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas desafia estratégias da direita
Com senador consolidado como herdeiro político, PP aguarda definição entre 'candidatura de legado' ou foco na vitória

Desde o anúncio de que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para representar o clã nas eleições de 2026, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem sido colocada à prova. As dúvidas ganharam força principalmente após o parlamentar declarar, em dezembro de 2025, que haveria “um preço” para desistir da disputa. Contudo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada no dia 14 de janeiro, apontou uma oscilação positiva nas intenções de voto do “filho 01”.
O levantamento indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garante a reeleição contra diferentes adversários, mas consolida Flávio como o candidato mais sólido da oposição. Os dados revelam que 54% dos entrevistados acreditam que o congressista manterá a candidatura até o fim. No espectro político, a confiança é ainda maior: 83% dos bolsonaristas e 75% dos eleitores de direita creem na viabilidade do nome do senador.
O cientista político Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avaliou que a candidatura de Flávio é competitiva e tem potencial de chegar a um eventual segundo turno.
“Isso se deve a dois fatores: a rejeição ao ‘antilulismo’ e a persistência do fenômeno bolsonarista. Não podemos ignorar a força desse eleitorado”, explicou.
A cientista política Karolina Roeder (Uninter) concorda com o potencial eleitoral do senador e ressalta que a consolidação de seu nome pode alterar as estratégias dos partidos do Centrão. Segundo ela, essas siglas podem acabar embarcando na candidatura de Flávio por sua maior capacidade de captação de votos em relação a outros nomes da direita.
“No entanto, imagino que o cenário de primeiro turno deva ser fragmentado, considerando os possíveis candidatos apresentados até o momento”, pondera.
Mercado e Centrão ainda ‘torcem o nariz’
Além de reorganizar as estratégias para a corrida eleitoral, a notícia da candidatura de Flávio mexeu com os termômetros financeiros. Em dezembro, em reação ao anúncio, o dólar registrou a maior alta desde outubro (2,34%, a R$ 5,43) e o Ibovespa retrocedeu (-4,31%, aos 157.369 pontos) no pior desempenho diário desde 2021.
O bolsonarista chegou a minimizar a reação negativa do mercado, apontando o movimento como “precipitado, mas natural”.
Analistas destacam que os índices econômicos vinham em uma onda de otimismo e bons números, de modo que qualquer atualização brusca no cenário político poderia quebrar a sequência positiva. O nome de Flávio – por ainda ser uma novidade que surpreende até seu próprio espectro político – desestabiliza um setor financeiro que via o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o candidato mais plausível e alinhado com a Faria Lima até então.
O Centrão também tem ressalvas quanto ao apoio fiel à nova candidatura. Mesmo que haja intenção de uma frente ampla de centro-direita, a associação direta com o clã de Jair Bolsonaro (PL) ainda causa dúvidas em lideranças partidárias.
A expectativa de que Tarcísio de Freitas encabeçasse a aliança na oposição foi desgastada com a presença de Flávio. O governador de São Paulo apresenta boas pontuações em cenários de pesquisa, mas teme perder o domínio do estado paulista caso deixe o cargo para concorrer à presidência – já que a corrida pelo Executivo federal mostra-se menos garantida.



