Saúde

Micro-hábitos diários podem render até 10 anos extras de vida saudável

Pequenas mudanças repetidas ao longo do tempo ajudam a prevenir doenças crônicas, preservar a autonomia e ampliar o tempo de vida

Viver mais não significa, necessariamente, acumular anos com limitações. A ciência tem mostrado que o ganho real está em viver melhor por mais tempo – e isso pode começar com decisões simples do cotidiano.

Micro-hábitos, como caminhar alguns minutos por dia, reduzir o tempo sentado ou fazer escolhas alimentares mais naturais, têm impacto direto na saúde e podem render até 10 anos a mais de vida saudável, isto é, anos livres de doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida.

Essa estimativa está alinhada a um grande estudo europeu com mais de 116 mil participantes, publicado em 2020, na revista JAMA Internal Medicine, que avaliou quatro fatores do estilo de vida: tabagismo, índice de massa corporal (IMC), prática de atividade física e consumo de álcool.

A pesquisa mostrou que adultos com hábitos saudáveis podem viver até uma década a mais sem doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, respiratórios e câncer.

Em um país em que 52% dos adultos convivem com ao menos uma doença crônica e cerca de 60% têm excesso de peso, a mensagem dos especialistas é clara: prevenir não exige mudanças radicais, mas constância em ações possíveis.

Micro-hábitos que ajudam a ganhar anos de vida saudável

  • Caminhar por 10 minutos após as refeições.
  • Fazer alongamentos algumas vezes ao longo do dia.
  • Trocar o elevador ou a escada rolante pela escada.
  • Descer um ponto antes do ônibus ou do metrô.
  • Reduzir o tempo sentado, mesmo em casa.
  • Priorizar alimentos naturais.

Viver mais ou viver melhor?

Para o clínico geral Caio Portela, do Hospital Sírio-Libanês, quando se fala em “até 10 anos extras”, o foco não é apenas a longevidade cronológica.

“Existe um índice chamado expectativa de vida saudável”. Ele se refere ao tempo vivido sem doenças que reduzem a qualidade de vida. “Viver mais anos sem essas complicações também acaba impactando a longevidade total”, explica.

Na prática, isso significa mais disposição, menos dependência de medicamentos, maior autonomia para atividades diárias e menor risco de eventos graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo Portela, não existe idade-limite para adotar micro-hábitos. “Quanto antes, melhor, porque há mais tempo para o hábito se consolidar como prevenção. Mas nunca é tarde para começar. O melhor momento é sempre agora”, afirma.

Os primeiros benefícios costumam surgir rapidamente. “A disposição melhora logo no início. Aquele cansaço persistente começa a desaparecer. Depois, vemos melhora de dores crônicas, da resistência cardiovascular e da autonomia para tarefas simples, como subir escadas ou levantar de uma cadeira”, descreve o médico. Com o tempo, aparecem também ganhos metabólicos, como melhor controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia.

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