Brasil

Marinha amplia vigilância de área rica em minerais críticos no mar

Novo centro da Marinha busca identificar embarcações suspeitas e pode ajudar a prevenir espionagem em região do Atlântico Sul que abriga petróleo, cobalto, níquel e terras raras

A Marinha do Brasil ampliou sua capacidade de vigilância no Atlântico Sul com a ativação de um centro internacional de informações voltado à identificação de embarcações suspeitas, combate a atividades ilícitas e proteção de recursos naturais. A iniciativa também busca reforçar a segurança de rotas comerciais e instalações estratégicas em uma região que concentra reservas de petróleo, gás e minerais críticos.

Inaugurado no Rio de Janeiro, o Centro Internacional de Fusão de Informações (IFC Atlântico Sul) será responsável por reunir e analisar dados de diferentes instituições brasileiras e estrangeiras para identificar possíveis ameaças às atividades marítimas.

Segundo a Marinha, o novo centro terá como área de interesse aproximadamente 40,3 milhões de quilômetros quadrados do Atlântico Sul, abrangendo águas internacionais e regiões marítimas de diferentes países. Desse total, cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados correspondem à chamada Amazônia Azul, área marítima de interesse estratégico brasileiro que concentra recursos naturais, rotas comerciais e instalações essenciais à economia nacional.

O centro funcionará nas instalações do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz) e contará com a colaboração de marinhas estrangeiras, guardas costeiras, órgãos governamentais e empresas.

Na prática, a estrutura permitirá cruzar informações de diferentes fontes para identificar comportamentos atípicos de embarcações, possíveis atividades ilegais e riscos à segurança marítima. Os dados poderão auxiliar o planejamento de operações com navios, aeronaves e equipes de fiscalização.

A iniciativa também poderá contribuir para a identificação de movimentações associadas a pesquisas não autorizadas ou outras atividades clandestinas.

O IFC Atlântico Sul produzirá boletins periódicos, relatórios, estudos analíticos e análise sistemática do ambiente marítimo do Atlântico Sul, de forma a compartilhar todas essas informações com os parceiros estratégicos nacionais e internacionais”, afirmou o contra-almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, primeiro diretor do centro.

A proposta é fortalecer a cooperação internacional e permitir que informações sobre possíveis ameaças sejam compartilhadas com maior rapidez entre os países envolvidos.

A iniciativa também conta com a aproximação da União Europeia. Em outubro, a Marinha assinou um memorando de entendimento com o programa europeu EUCRIMARIO, voltado ao fortalecimento da cooperação e do intercâmbio de informações sobre segurança marítima.

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