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Vitória democrata pode ampliar espaço para o Brasil negociar tarifas agrícolas com os EUA

Com a oposição liderando o Congresso, analistas veem margem para rever barreiras, mas alertam que mudanças não serão imediatas

O setor agropecuário brasileiro pode ganhar novas oportunidades de negociação com o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A formação de uma maioria democrata no Congresso americano fortalece a oposição, limitando a capacidade do presidente Donald Trump de implementar sua agenda.

Segundo especialistas, essa mudança na política dos EUA pode favorecer a revisão de medidas que prejudicam os exportadores do Brasil, como o tarifaço. Além disso, a redução das alíquotas a produtos brasileiros é um tema de interesse público dos EUA, uma vez que tarifas elevadas encarecem insumos, pressionam os custos das empresas e contribuem para a alta da inflação.

Disputa por mercado

Especialista em comércio exterior, Jackson Campos entende que, com a maioria democrata, o Brasil pode ampliar a pressão pela revisão do tarifaço. Contudo, ele prevê que o impacto não será imediato, visto que o agro brasileiro ainda enfrenta a concorrência dos EUA na China e os efeitos das oscilações cambiais.

Um exemplo dessa concorrência é a soja. O produto é um dos principais itens vendidos pelos americanos para os chineses, que também respondem por cerca de 70% das exportações do grão brasileiro – o que dá ainda mais peso à disputa.

O efeito sobre a margem dependerá dos custos e da proteção cambial de cada empresa. Minha avaliação é de que o Brasil deve aproveitar o ambiente para negociar melhores condições de acesso, sem apostar toda a estratégia numa mudança política americana. Diversificar compradores e preservar contratos continua sendo necessário”, ressalta Campos.

Aposta no diálogo

O especialista também observa que é importante reforçar o diálogo com parlamentares e importadores dos EUA. Isso porque a perda da maioria no Congresso dificulta a aprovação de medidas por Trump e amplia a fiscalização sobre as tarifas, mas não encerra os poderes comerciais do Executivo nem o protecionismo americano.

Poder de veto

A economista Tatiana Goes salienta que, apesar de a mudança no Congresso americano ter o potencial de favorecer negociações e revisões de medidas específicas, Trump continuará exercendo a Presidência e terá poder de veto sobre projetos legislativos.

Uma vitória democrata pode representar uma oportunidade de redução das tensões comerciais, mas não deve ser interpretada como garantia de eliminação das tarifas”, frisa.

Derrota de Trump

Nesta semana, o Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso americano nas eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms.

Até a última atualização desta reportagem, os democratas somavam 237 cadeiras na Câmara – contra 139 dos republicanos – e 54 no Senado, onde o Partido Republicano garantiu 44 assentos.

O resultado representa um revés histórico para Trump. Com a nova maioria, a oposição ganha força para investigar possíveis irregularidades da gestão, convocar integrantes do governo e contestar medidas como o aumento de tarifas comerciais e o conflito com o Irã.

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