Penduricalhos, supersalários e mais: Fazenda desenha ajuste para 2027
Pressionado pelo mercado financeiro, governo Lula prepara pacote de medidas de ajuste fiscal para garantir credibilidade das contas públicas

Uma das principais preocupações da equipe econômica para 2027 é a necessidade de ajuste fiscal para recompor a credibilidade das contas públicas.

Medidas de ajuste estudadas pelo governo
Uma das principais apostas para ajustar as despesas é a contenção dos supersalários e dos penduricalhos, que são gratificações superiores ao teto do funcionalismo público, de R$ 46.366,19. O enfrentamento ao tema, no entanto, não é novidade.
No Congresso Nacional, tramita a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Administrativa, relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). O texto, porém, ainda não teve andamento, e o deputado não conquistou a vaga no Senado Federal nas eleições deste ano, portanto, a relatoria da matéria deve passar para outro parlamentar.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad é um defensor da revisão de penduricalhos e supersalários. De acordo com ele, as práticas custam cerca de R$ 20 bilhões aos cofres públicos por ano.
Esse valor não seria suficiente para equilibrar, sozinho, o Orçamento de 2027. Para acomodar as medidas anunciadas por Lula, o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) afirmou que será necessário um remanejamento de despesas na ordem de R$ 20 bilhões.
No entanto, outras medidas podem impactar o cálculo, como a proibição das casas de aposta on-line, as chamadas bets, que causa uma perda de arrecadação para o próximo ano de aproximadamente R$ 6 bilhões.
O remanejamento será necessário para acomodar as despesas de R$ 22 bilhões com o aumento do Bolsa Família; a ampliação do Pé-de-Meia, de cerca de R$ 2 bilhões; o Desenrola 3.0, de R$ 5 bilhões; e o Pix MEI, de R$ 1 bilhão.
Essas despesas estão amparadas na legislação vigente e respondem a demandas legítimas da sociedade brasileira, como a melhoria das condições de trabalho dos profissionais de aplicativos, o acesso à casa própria, a ampliação da escolaridade e da produtividade, o fortalecimento da educação pública, a transição para uma economia verde, o estímulo aos investimentos, o acesso ao transporte público, a redução da pobreza energética e o apoio aos pequenos empreendedores por meio do crédito”, explica o MPO, em nota.
Medidas que pressionam o Orçamento de 2027
- Durante o período eleitoral, o governo anunciou uma série de medidas que pressionam as contas públicas no ano que vem;
- A principal delas, o reajuste do Bolsa Família, deve ter impacto de mais de R$ 22 bilhões no Orçamento;
- O governo alega que as medidas não são eleitoreiras e que foram anunciadas durante a campanha porque a equipe econômica só encontrou espaço fiscal nesse momento;
- Além de anunciar o reajuste do benefício social, o governo afirmou que vai ampliar o Pé-de-Meia e garantir tarifa gratuita nos ônibus aos domingos;
- Outro ponto que merece atenção é que as receitas do governo estão sendo impactadas pelo aumento do preço do petróleo;
- Em um eventual cessar-fogo na guerra entre EUA e Irã, os preços podem se acomodar e as receitas podem diminuir.



