Costa Rica inaugura megaprisão inspirada em modelo de Bukele
Com capacidade para mais de 5 mil detentos, prisão de segurança máxima nas proximidades de San José é destinada a presos de maior periculosidade

A Costa Rica, considerada por muito tempo um dos países mais seguros da América Latina, está ampliando seus esforços contra o crime organizado e o narcotráfico após um aumento nos homicídios.
Para isso, está buscando inspiração em outro país centro-americano e inaugurou uma prisão de segurança máxima destinada aos presos de maior periculosidade, seguindo o modelo criado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Com ela, o governo pretende transformar o país numa referência mundial em segurança penitenciária.
Bukele conseguiu reduzir os homicídios a níveis historicamente baixos em El Salvador, mas enfrenta acusações de abusos cometidos durante o estado de emergência iniciado em 2022 e que já levou ao encarceramento de mais de 91 mil pessoas.
Na Costa Rica, o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), construído ao custo de 35 milhões de dólares e com capacidade para 5.100 detentos, fica ao lado da prisão de segurança máxima La Reforma, a cerca de 25 quilômetros da capital, San José.
O objetivo do governo da presidente Laura Fernández é reforçar a resposta à violência num momento em que a Costa Rica registra números recordes de homicídios. Fernández afirmou que o impacto da nova prisão dependerá, em parte, de o Judiciário determinar mais condenações.
Seu governo tem entrado em conflito com as autoridades judiciais por causa das políticas de combate ao crime e dos cortes orçamentários, enquanto juízes e promotores alertam para pressões sobre os mecanismos democráticos de controle e equilíbrio entre os poderes.
Rota da cocaína para a Europa
Segundo dados oficiais, na última década o número de homicídios na Costa Rica aumentou gradualmente até atingir o recorde de 905 assassinatos em 2023. Em 2024, o total caiu apenas ligeiramente para 876 e, em 2025, para 873 homicídios, o equivalente a uma taxa de 16,7 por 100 mil habitantes, permanecendo bem acima dos níveis registrados anteriormente.
As autoridades afirmam que a maior parte dos assassinatos está relacionada a disputas entre grupos criminosos pelo controle das rotas do tráfico de drogas.
Durante décadas, a Costa Rica foi uma zona de trânsito passiva para drogas provenientes da América do Sul, segundo a organização Insight Crime. Mas, sem forças armadas e com extensas áreas de floresta e portos em ambas as costas, o país passou a atrair cartéis mexicanos e colombianos.
No fim da década passada, um novo terminal de cargas transformou o porto caribenho de Limón num centro de armazenamento e transporte de cocaína destinada à Europa, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que num relatório de 2025 também identificou a distribuição de fentanil no país centro-americano.
Hoje, os dois principais cartéis mexicanos, Sinaloa e Jalisco, estão presentes na Costa Rica, assim como o colombiano Clã do Golfo, a organização venezuelana Tren de Aragua, todos considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos, além de máfias italianas. Ao mesmo tempo, grupos locais vêm se multiplicando.



