Fluxo de petróleo do Oriente Médio volta ao nível pré-guerra no Irã
Estimativas do JPMorgan e do Goldman Sachs indicam recuperação dos embarques de petróleo bruto, mas riscos no Estreito de Ormuz persistem

O fluxo de petróleo do Oriente Médio voltou a se aproximar dos níveis registrados antes da guerra contra o Irã, apesar das ameaças constantes à navegação na região e dos ataques que afetaram a operação de oleodutos.
Segundo informações da Bloomberg, estimativas separadas dos bancos JPMorgan Chase e Goldman Sachs indicam uma recuperação expressiva dos embarques de petróleo bruto, especialmente após a retomada de rotas alternativas pela Arábia Saudita.
Analistas do JPMorgan estimaram que as exportações de petróleo bruto da região alcançaram uma média de 17,5 milhões de barris por dia em dez dias, equivalente a 98% do nível anterior ao conflito. O banco afirmou que as principais artérias de exportação voltaram a operar, ainda que a normalização seja desigual entre petróleo bruto e derivados.
Os embarques de combustíveis refinados, como diesel e gasolina, permanecem mais deprimidos: somavam cerca de 3 milhões de barris diários, ou 58% do patamar pré-guerra. A diferença sugere que a recuperação logística e operacional foi mais rápida no petróleo bruto do que no mercado de derivados.
Já o Goldman Sachs calculou que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, incluindo os chamados fluxos “obscuros” – cargas de origem ou destino menos transparentes -, chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na semana anterior, nível próximo à média de 2025.
O banco avaliou que o mercado global de petróleo ficou equilibrado em setembro, com a queda das exportações iranianas sendo compensada, em parte, por maior oferta de outros produtores da região.
A Arábia Saudita teve papel central nessa recomposição. O reino retomou o envio de petróleo pelo oleoduto Leste-Oeste, que conecta os campos produtores ao Mar Vermelho e permite reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. A rota havia sido interrompida após ataques de drones no início do mês.
Impacto da guerra
A guerra contra o Irã provocou forte volatilidade nos preços do petróleo ao reduzir ou interromper as exportações pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica que liga o Golfo Pérsico aos mercados internacionais. Uma parcela relevante, cerca de 25%, do comércio mundial de petróleo e derivados depende da rota, usada por grandes exportadores como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Irã.
Os ataques a embarcações, a ameaça de bloqueio do estreito e os danos a instalações de produção, transporte e exportação elevaram o prêmio de risco incorporado às cotações internacionais. Ainda que a oferta física tenha mostrado recuperação, a persistência de ameaças à navegação impede uma normalização completa do mercado.
A retomada dos fluxos reduziu parte da pressão imediata sobre os preços, mas não eliminou a possibilidade de novas altas. O Goldman Sachs alertou que uma escalada do conflito ou novos danos à infraestrutura energética poderiam voltar a restringir a oferta e reativar a volatilidade no mercado global.



