Governo e clubes discutem fim das bets e devem negociar crédito e período de transição
Reunião nesta terça-feira (29) deve abrir negociação sobre alternativas à perda de patrocínios dos times de futebol

A criação de uma linha de crédito para ajudar clubes de futebol a compensar a perda de receitas provocada pela proibição das bets e um período de transição para a suspensão das casas de apostas no país devem ser os principais pontos da reunião entre representantes do governo federal e dos clubes, nesta terça-feira (29), em Brasília.
O encontro, marcado para as 15h, deve abrir uma negociação sobre alternativas financeiras para o setor após a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25).
A reunião será conduzida pelo Ministério do Esporte. Um convite foi enviado à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para que representantes dos clubes e das federações filiadas participem da discussão. Segundo o documento, a intenção é construir conjuntamente iniciativas voltadas ao desenvolvimento e ao fortalecimento do futebol nacional.
O presidente Lula, que tem agenda e campanha prevista no Nordeste na terça, não deve participar do encontro.
A possibilidade de uma linha de crédito surge como alternativa à perda de recursos provenientes de contratos de patrocínio com empresas de apostas. O formato da medida, os critérios para acesso dos clubes e a eventual fonte dos recursos ainda devem ser discutidos.
O encontro ocorre em meio à reação dos clubes à decisão do governo de interromper o funcionamento do mercado regulado de apostas. Diretorias de alguns dos principais clubes do país têm manifestado preocupação com os efeitos imediatos da mudança, principalmente em relação a contratos já firmados e receitas previstas para os próximos anos.
Clubes querem discutir transição
Após a confirmação da medida, o Flamengo criticou a falta de debate prévio e argumentou que uma mudança nas regras não deveria romper de forma imediata compromissos assumidos durante o período em que o setor estava regulamentado.
O clube afirmou que eventuais problemas no mercado de apostas podem levar ao aperfeiçoamento das regras, mas defendeu previsibilidade para empresas e instituições que fizeram investimentos e firmaram contratos com base na legislação vigente até então.
Na avaliação do Flamengo, o impacto não ficaria restrito às agremiações de maior receita. O clube cita categorias de base, futebol feminino, esportes olímpicos, campeonatos, fornecedores, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, arenas e outros prestadores de serviços como setores que também podem ser afetados pela redução dos recursos provenientes das apostas.



