A crise entre Coreia do Sul e Ucrânia por soldados norte-coreanos
Seul protesta contra divulgação do caso; dois militares capturados enquanto lutavam pela Rússia chegaram à Coreia do Sul e agora passarão por interrogatórios e avaliação de segurança

A Coreia do Sul convocou nesta segunda-feira (28) o encarregado de negócios da Ucrânia para protestar contra a divulgação da transferência de dois soldados norte-coreanos para o país, após uma disputa sobre um suposto acordo para manter o caso em segredo, informou a agência de notícias Yonhap.
O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano contestou a divulgação unilateral, por parte da Ucrânia, do pedido dos soldados para serem transferidos para a Coreia do Sul.
Seul afirma que os dois países haviam concordado em não divulgar a transferência, enquanto Kiev nega que tenha existido um acordo de confidencialidade.
O que acontece agora com os soldados norte-coreanos?
Dois soldados norte-coreanos capturados enquanto lutavam pela Rússia contra a Ucrânia estão agora na Coreia do Sul. A chegada levantou questões sobre como eles serão investigados, protegidos e reintegrados à sociedade, além da base legal para a transferência.
Qual será o processo?
Os soldados devem passar por interrogatórios e uma avaliação de segurança antes de as autoridades sul-coreanas decidirem se concederão proteção e iniciarão o processo de reassentamento.
O Ministério da Unificação da Coreia do Sul informou nesta segunda-feira que os casos serão analisados de acordo com as leis e práticas anteriores, indicando que deve ser aplicada a Lei de Proteção e Apoio ao Assentamento de Desertores Norte-Coreanos.
Segundo a legislação, o Serviço Nacional de Inteligência (NIS, na sigla em inglês) investiga os solicitantes enquanto eles permanecem sob custódia temporária, verificando suas identidades, os motivos pelos quais deixaram a Coreia do Norte e questões relacionadas à segurança.
A investigação e a proteção temporária podem durar até 90 dias, com possibilidade de extensão em circunstâncias inevitáveis.
A experiência militar dos soldados e o conhecimento em primeira mão sobre a participação da Coreia do Norte na guerra na Rússia podem resultar em interrogatórios mais extensos.
Aqueles que recebem proteção normalmente passam por treinamento para reassentamento antes de ingressar na sociedade sul-coreana.
Yu Yong-weon, parlamentar da oposição que se encontrou com os soldados na Ucrânia em fevereiro de 2025, afirmou que eles serviram nas forças especiais norte-coreanas e poderiam fornecer informações sobre o treinamento, as capacidades militares e a participação de Pyongyang na guerra.



