Entenda o que o acordo de Trump sobre a Groenlândia poderia mudar de forma realista
Mudanças podem ter como objetivo limitar a influência da China e da Rússia na ilha, segundo especialistas

O acordo sobre a Groenlândia, assinado pelo presidente Donald Trump na terça-feira (22) após meses de ameaças, parece fazer pequenas mudanças em um tratado de 1951 que define a presença militar dos Estados Unidos no território autônomo, de acordo com especialistas, mantendo países não membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) fora e permitindo um pequeno aumento nas forças dos EUA.
Trump havia ameaçado tomar a Groenlândia à força se não encontrasse um acordo do seu agrado, com nações europeias enviando tropas para o território enquanto as tensões aumentavam.
O acordo entre os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia serve como um suplemento ao tratado de defesa de 70 anos que deu aos EUA permissão para posicionar tropas na Groenlândia como parte da defesa da Otan.
Entre as principais adições estão a proibição de membros que não são da Otan de basear forças na Groenlândia, a construção de duas bases dos EUA e a garantia de acesso militar dos EUA se a Groenlândia se tornar independente da Dinamarca, disseram especialistas.
“Não acho que a presença militar será tão grande assim, mas aumenta nossa presença muito modesta na Groenlândia e faz parte de um quadro muito mais amplo de atividades no Ártico e da expansão de atividades por todos, incluindo nós, incluindo os canadenses”, disse Mark Cancian, consultor sênior do Departamento de Defesa e Segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
Os militares dos EUA têm tido uma pequena presença na Base Espacial de Pituffik, na Groenlândia, há décadas.
E, enquanto o presidente Trump disse na sexta-feira (18) que os EUA iriam “começar imediatamente” a construir uma “grande presença militar” na Groenlândia, Cancian disse que o número final de forças poderia ser modesto, estimando a adição total em menos de 50 soldados.
As restrições do acordo sobre a influência de países não pertencentes à Otan sobre a Groenlândia, uma das principais mudanças em relação ao tratado anterior, são “claramente direcionadas” à China e à Rússia, acrescentou Cancian.
Trump apresentou o acordo como fornecendo “controle permanente sobre a segurança” do território, depois de dizer anteriormente que os EUA precisavam do controle sobre o país para manter sua própria segurança.
O acordo faz referência ao planejado sistema de defesa antimísseis “Domo Dourado” de Trump, embora esse programa ainda esteja a anos de ser construído.
Os EUA e outros países têm voltado cada vez mais atenção para o Ártico à medida que as calotas polares têm diminuído, criando vias navegáveis agora que poderiam moldar o comércio global.



