Guerra deixa marcas na saúde mental de 10 milhões de pessoas na Ucrânia
Após quatro anos de guerra, Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para problemas de saúde mental em ucranianos provocados pelo conflito

Depois de quase dois anos de guerra, o sono de Andrei Kurkov se tornou ansioso e instável. Eram efeitos diretos de uma crise de saúde mental instalada no país que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge atualmente 10 milhões de pessoas na Ucrânia.
“Mesmo que nosso corpo não tenha sido capturado pelo inimigo, nosso corpo foi”, afirma o escritor ucraniano em um dos últimos capítulos do livro “Ucrânia: diário de uma guerra”.
Lançada em 2025, a obra é um registros dos primeiros dois anos de guerra. Nas cerca de 400 páginas, Kurkov descreve como o conflito passou a impactar o cotidiano, e as mentes, de milhares de ucranianos.
“Para entender a situação, é importante reconhecer as condições em que o povo da Ucrânia vive atualmente”, explica o médico. “Existe uma ameaça constante à vida e à saúde, ataques dia e noite, interrupções no sono, preocupação com entes queridos que servem nas forças armadas ou vivem em regiões no front de batalha, o impacto econômico mais amplo da guerra, entre outros fatores. Tudo isso afeta inevitavelmente a saúde mental e o bem-estar das pessoas”.
Guerra se arrasta por mais de quatro anos
- A guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, após a Rússia lançar uma invasão em larga escala contra o país vizinho.
- De acordo com a Organização das Nações Unidas, cerca de 1,4 milhão de militares, de ambos os lados, morreram.
- O número de vítimas civis gira em torno de 14 mil, enquanto mais de 37 mil pessoas ficaram feridas.
- A violência também forçou mais de 9 milhões de pessoas a fugirem de suas casas na Ucrânia. Deste número, 5,9 milhões buscaram refúgio em outros países, informou a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Outros 3,7 milhões de ucranianos estão deslocadas dentro do próprio país.
- Rússia e Ucrânia começaram a negociar um possível acordo de paz em meados de 2025, com a mediação dos Estados Unidos.
- Mas, apesar dos esforços e da promessa do presidente Donald Trump de encerrar o conflito, as conversas não avançaram.
Homens, mulheres, meninos e meninas. Os impactos psicológicos negativos do conflito não escolhem gênero ou idade, e afetam a população ucraniana muito antes da guerra em grande escala que começou em 2022.
Segundo dados recentes da OMS, 76% da população ucraniana relataram problemas de saúde mental entre fevereiro de 2025 e o mesmo mês deste ano.



