Doações de pessoas físicas para partidos e candidatos ultrapassam R$ 400 milhões
Ronaldo Caiado recebeu R$ 2,3 milhões, maior doação para presidenciáveis até agora

Os partidos e candidatos que concorrem às eleições de 2026 já receberam um total de R$ 404.107.251 em doações para as suas campanhas, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) consultados nessa quinta-feira (17).
De acordo com a plataforma Divulgacand, o empresário baiano Carlos Suarez, fundador da construtora OAS, que ficou conhecido como Rei do Gás após expandir seus negócios, direcionou R$ 5,7 milhões às contas dos partidos MDB, União, PP, PSDB e PSD, e ocupa o primeiro lugar no ranking.
Em segundo lugar, o bilionário cofundador de marca do setor de calçados que leva o seu nome, Alexandre Grendene, fez transferências que totalizam R$ 3,7 milhões.
O dinheiro foi destinado às campanhas de candidatos aos governos do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), e Ceará, Ciro Gomes (PSDB), além dos candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) e à deputada estadual Regina Becker (PDT).
Rubens Ometto aparece em terceiro lugar com uma doação de R$ 3,2 milhão ao MDB nacional, ao PL de Tocantins, ao PP de Mato Grosso do Sul e a 13 candidatos a deputado federal e estadual de diferentes legendas.
Em quarto, está o empresário Robert Carlos Lyra, que injetou R$ 2,6 milhões nas campanhas de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais, ao PP nacional e a oito candidatos a deputado.
Já o irmão de Alexandre, Pedro Grendene, enviou R$ 2,4 milhões para turbinar as campanhas de Ciro e seu adversário Elmano de Freitas (PT), além de injetar recursos também na campanha de Cid Gomes, e ocupa o quinto lugar no ranking. Ele incluiu Fabiano Feltrin (PL) e Josafa Farias (PT), que disputam vagas ao cargo de deputado estadual, e Lucas Redecker, que concorre a deputado federal.
O ranking do TSE traz os 100 maiores doadores do país e conta com nomes como o cineasta Walter Salles, a escritora Beatriz Bracher e o empresário Fernando de Castro Marques.
Presidenciáveis
Entre os candidatos à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) recebeu o maior valor de uma única pessoa: 2,3 milhões do empresário e jurista Carlos Eduardo Ferraz, e acumula R$ 2,5 milhões em doações.
O empresário gaúcho Erasmo Carlos Battistella é a pessoa física que mais doou às campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O empresário gaúcho fez doações de R$ 500 mil para cada uma das campanhas — totalizando R$ 1 milhão.
No total, Flávio conta com R$ 2,2 milhões e Lula, com R$ 838 mil. Já os valores de Romeu Zema (Novo) somam R$ 300 mil, de Renan Santos (Missão), R$ 261 mil, e Augusto Cury (Avante) contabiliza R$ 112 mil até o momento.
Como funcionam as doações
A doação por pessoa física é uma das fontes de recursos que os candidatos têm para financiar as suas campanhas eleitorais. Cada pessoa pode doar até 10% do rendimento bruto declarado no último imposto de renda, fora a doação de bens no valor de até R$ 40 mil.
Doações em dinheiro acima de R$ 1.064,10 devem ser realizadas por transferência eletrônica entre contas bancárias ou por cheque nominal e cruzado, para garantir a rastreabilidade dos recursos. Outros partidos também podem realizar doações.
A chamada “sobra de campanha”, quando o candidato não utiliza integralmente os recursos privados arrecadados, deve ser direcionada para o partido, que fica responsável pela prestação de contas.
Além das doações, os candidatos podem contar com dinheiro próprio, venda de bens ou serviços, eventos de arrecadação e recursos próprios dos partidos, desde que identificada a sua origem.
De acordo com as regras, não é permitida a doação de pessoas jurídicas e de fontes estrangeiras, assim como doações por meio de moedas virtuais ou cartões pré-pagos.



