OEA se reúne após governo da Nicarágua proibir opositores nas eleições
Reunião discutirá os preparativos de um encontro entre chanceleres da organização para debater a crise em Nicarágua

Dias após o governo de Nicarágua aprovar a reforma que excluiu a oposições das eleições, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reúne para discutir a situação no país caribenho. O encontro será realizado nesta quinta-feira (3) em Washington, Estados Unidos.
Segundo a agenda do órgão, representantes na OEA devem discutir os preparativos para a 31ª reunião de consulta dos ministros das Relações Exteriores da organização, com foco em debater a crise política em Nicarágua.
O encontro de chanceleres foi aprovado pelo Conselho Permanente no fim de agosto, mas ainda não tem data para ser realizado. Na ocasião, o Brasil foi o único país a votar contra a resolução que convocou a reunião, e pediu mais diálogo antes da medida.
Temas relacionados a Bolívia, Colômbia e a visita do secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, ao Haiti, também estão na pauta do Conselho Permanente.
O que é a OEA?
- A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi fundada em 1948.
- O bloco era composto, originalmente, por 35 países das Américas.
- Venezuela e Nicarágua, contudo, se retiraram da OEA após críticas da organização sobre a democracia em ambos os países.
- É na OEA que nações da região realizam discussões políticas, sociais e jurídicas, além da cooperação entre os países membros e a solução de conflitos.
Crise em Nicarágua
A crise política em Nicarágua, que enfrenta um longo processo de erosão da democracia segundo boa parte da comunidade internacional, começou em julho deste ano.
Durante uma rara aparição, o presidente do país desde 2007, Daniel Ortega, chegou a descartar novas eleições em Nicarágua para “impedir a volta da oposição”.
Dias após o discurso de Ortega, realizado em 20 de julho, o assunto passou a ser discutido pelo Parlamento de Nicarágua. Mas, diante da repercussão internacional negativa, o governo do país deu um recuo – que não teve efeito prático.
A copresidente do país e esposa de Daniel Ortega, Rosario Murillo, disse que o processo eleitoral nicaraguense não seria cancelado. Ela, contudo, anunciou que a Assembleia Nacional da Nicarágua iniciaria discussões sobre reformas constitucionais, com o objetivo de eleições “livres, dignas e soberanas”.
Na terça-feira (1º), o Parlamento de Nicarágua aprovou as mudanças constitucionais, que vão impedir a participação de “golpistas e traidores da pátria” nas eleições — como costumam ser classificados os opositores do governo sandinista.



