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UE suspende importação de carnes do Brasil

Para voltar a exportar, Brasil deve comprovar que cumpre todas as exigências sanitárias da União Europeia

A União Europeia suspenderá nesta quinta-feira (3) a compra de carne do Brasil. A decisão, que envolve medidas sanitárias, é vista com “preocupação” por exportadores brasileiros, que alegam não haver substituição automática do mercado europeu, mesmo com a recente ampliação da cota de importação anunciada pelos Estados Unidos, que tentam conter a inflação dentro do país.

“Quando um exportador depende de poucos mercados, fica mais vulnerável a decisões regulatórias e políticas que estão fora do seu controle. Ela mostra, na verdade, a importância de ter capacidade de diversificar destinos e redirecionar volumes rapidamente quando as condições de um mercado mudam”, afirma o especialista em internacionalização e sócio da consultoria de comércio internacional Intrust Associates, Guilherme França.

Em junho, a União Europeia oficializou a decisão que veta a compra de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. Segundo o bloco, os produtores brasileiros não conseguiram provar que usam medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais ao longo de toda a cadeia produtiva.

Brasil tentou atender às exigências

Com as exigências europeias, o governo brasileiro passou a colocar em prática novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia. Ainda assim, os alimentos seguem proibidos de serem comercializados.

Atualmente, o Brasil é o maior fornecedor de produtos agrícolas da Europa, representando 42% das exportações brasileiras para o continente em 2025. Combustíveis e produtos de mineração representaram 27% (11,9 bilhões de euros), enquanto minerais como minério de ferro contribuíram para o restante das exportações.

A decisão do bloco também tem gerado discussões no Reino Unido, onde parlamentares já sugeriram se espelhar na decisão da União Europeia.

O que dizem as associações

A suspensão pode trazer um prejuízo anual estimado de US$ 1,8 bilhão ao agronegócio brasileiro. O receio de perder um mercado com alto valor agregado gerou maior pressão no Ministério da Agricultura, que atua ao lado da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) para tentar reincluir o Brasil na lista de países aptos a exportar para o bloco.

Em nota, a Abiec informou que acompanha as negociações, conduzidas pelo governo, e atua no fornecimento de subsídios técnicos necessários para que o fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível.

“É um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos”, informou a associação. Relações Exteriores.

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