Banner principalPetróleo Amapá

Descoberta de petróleo na Foz do Amazonas pode levar Transpetro a criar base na região Norte

Empresa avalia estrutura para receber e transportar eventual produção; Petrobras ainda precisa confirmar volume e viabilidade comercial da descoberta no Amapá

A descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, já começa a provocar discussões sobre a estrutura necessária para uma eventual produção na região. A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, avalia a possibilidade de instalar uma base no Norte para receber e transportar o petróleo caso a exploração avance para a etapa comercial.

A informação foi dada pelo presidente da Transpetro, Sergio Bacci, durante a Navalshore, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a empresa já acompanha os desdobramentos da campanha exploratória e poderá precisar de uma estrutura para fazer o chamado alívio das plataformas, recolher o petróleo e levá-lo até a costa ou para exportação.

“Nós já estamos olhando a região Norte, porque, possivelmente, vamos precisar ter alguma base para poder fazer o alívio das plataformas, recolher o petróleo e transportá-lo até a costa ou exportar parte da produção”, afirmou.

A localização da possível base ainda não foi definida. Bacci explicou que a escolha dependerá dos resultados da exploração e do tamanho da produção que poderá ser desenvolvida na região.

“É uma descoberta muito recente e tem um tempo ainda de maturação. Teremos um caminho longo ainda em tudo que envolve a Margem Equatorial”, disse.

Descoberta ainda está em fase inicial

A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de aproximadamente 2.886 metros de profundidade.

Apesar da confirmação, ainda não é possível saber quanto petróleo existe no local nem se a descoberta será economicamente viável para produção comercial.

A exploração do Morpho deve continuar por mais 15 a 20 dias. A Petrobras também prevê a perfuração de outros três poços na mesma área e cinco em regiões adjacentes para avaliar o potencial da descoberta.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que esse conjunto de perfurações será necessário para determinar o real potencial da região.

O que é a Margem Equatorial?

A Bacia da Foz do Amazonas faz parte da Margem Equatorial, uma faixa de aproximadamente 2,2 mil quilômetros que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e reúne cinco bacias sedimentares.

A região é considerada uma nova fronteira de exploração de petróleo no país e ganhou atenção após descobertas de grandes reservas na vizinha Guiana. A Petrobras e o Governo Federal também veem a área como estratégica para a reposição das reservas brasileiras à medida que a produção do pré-sal se aproxima do pico.

Possível logística

Caso a exploração avance para a produção comercial, a operação deverá exigir uma estrutura logística própria para o transporte do petróleo. Segundo Bacci, parte da produção poderá ser levada por cabotagem até a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, caso seja destinada ao refino no Sudeste. Outra parcela poderá ser exportada.

A Transpetro também prevê a necessidade de embarcações de apoio, mas o tamanho da estrutura ainda dependerá do resultado da prospecção.

A empresa atualmente amplia a frota para atender à demanda de transporte de petróleo e derivados. São 13 navios em construção no Brasil, além de 18 empurradores e 18 barcaças para navegação interior.

Impactos já aparecem no Amapá

Mesmo antes da confirmação de uma produção comercial, a expectativa em torno do petróleo já provoca mudanças no município de Oiapoque, cidade mais próxima da área de exploração. A perspectiva de novos empregos e arrecadação de royalties tem atraído moradores e impulsionado a construção civil.

O crescimento, porém, também tem ocorrido com problemas de infraestrutura e expansão desordenada. Segundo a prefeitura da cidade, em julho, ao menos sete ocupações vinham crescendo nos arredores do município, impulsionadas pelo encarecimento dos aluguéis e pela chegada de moradores de outras cidades e estados.

A exploração na Foz do Amazonas ainda enfrenta questionamentos ambientais. Organizações ambientalistas alertam para os possíveis impactos sobre uma região considerada ambientalmente sensível e sobre comunidades indígenas e quilombolas.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo